√Č assim que √© REALMENTE ter um filho com atraso na fala

√Č assim que √© REALMENTE ter um filho com atraso na fala

Jovanmandic / Getty

Algumas crianças dizem as coisas mais sombrias, mas outras não dizem nada.

Esperamos, e continuamos esperando, para garantir que as palavras chegariam em breve. Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses e as crianças ao nosso redor começaram a tagarelar, mas as nossas não. As crianças ao nosso redor começaram a imitar, mas as nossas não. As crianças ao nosso redor começaram a apontar letras e nomear objetos, mas as nossas não. Começamos a nos preocupar, mas não muito. Nós pensamos que ele falaria quando estivesse pronto. Então ele começou a bater a cabeça em tudo. Ele começou a bater. Ele começou a morder. Ele começou a se enfurecer e gritar, mas ainda não havia palavras. Nossa leve preocupação se transformou em preocupação. Então, mais uma vez, começamos a esperar enquanto a burocracia governamental processava nossa papelada e nos colocava em uma lista de espera de 18 meses.

Quando nosso filho completou 2 anos, ele falava apenas algumas palavras. Ele n√£o podia transferi-los entre diferentes situa√ß√Ķes; ele podia me dizer “acordado” enquanto dirigia seu carro por uma rampa, mas n√£o podia dizer “acordado” para me pedir para segurar e suas intera√ß√Ķes di√°rias estavam assustadoras. agressivo. As pessoas n√£o falam muito sobre apraxia infantil de dist√ļrbios do processamento da fala ou da linguagem porque as pessoas n√£o sabem muito sobre eles.

Tivemos a sorte de ouvir um patologista da fala e da linguagem falar em mais de uma ocasi√£o durante a inf√Ęncia, mas aos 6 meses pensei: “Oh, √© improv√°vel que isso nos afete” e, no primeiro ano, pensei: “Ah, ele apenas um falador atrasado. Mas eu me tornei 2 e, de repente, tivemos uma crian√ßa vibrante e inteligente, cada vez mais frustrada. Cabe√ßa batendo, mordendo, gritando, chorando, empurrando, chutando, batendo, brinquedos quebrados, l√°grimas, l√°grimas e mais l√°grimas. Ent√£o, o 2 se tornou 3 e ainda est√°vamos lutando para nos entender.

Se havia algo que poderia melhorar, era que outras pessoas o veriam e entenderiam. Teria facilitado minha mente se eu soubesse que outras pessoas eram emp√°ticas em vez de julgadoras. Passei muito tempo tentando me explicar, explic√°-lo. Por tr√°s das minhas palavras, era isso que eu sempre pensava:

Sento-me em uma sala e vejo como ele brinca alegremente com um caminhão e todas as outras mães ficam à vontade, conversando agradavelmente e mantendo apenas um olho nos filhos. Mas eu não; Eu estou tenso. Embora eu esteja conversando, estou constantemente pronto para pular, porque brincar alegremente se transforma em meu filho jogando uma pedra pesada nos meus amigos garotinho, ou mordendo os dedos, ou esmagando seu rosto com um trator em menos tempo do que o necessário para piscar. Eu sei que isso vai acontecer; é apenas uma questão de quando.

E me sinto p√©ssima pelo menino que est√° magoado e confuso, me sinto p√©ssimo pelo nosso filho, e me sinto p√©ssimo em geral. Eu me pergunto o que as pessoas pensam. Eles acham que ele √© ruim? Eles sabem que ele tem um atraso na fala e, se o fazem, eles realmente entendem a luta dele? Eles desejam que paremos de aparecer, parem de expor seus filhos felizes a erup√ß√Ķes imprevis√≠veis de viol√™ncia? Quando eles sempre v√™em os verg√Ķes, os machucados verdes e os caro√ßos na testa, eles est√£o silenciosamente questionando o que est√° acontecendo por tr√°s da fachada de tijolos de nossa casa?

No momento, quando alguém se intromete em seu espaço ou pega um brinquedo com o qual está brincando, ele procura uma resposta: uma palavra, uma ação, algo que transmita o que ele quer ou precisa. Nesse momento, não há palavras. Ou ele não pode encontrá-los ou não pode articulá-los, e então ele se volta para o que funciona: bater, morder, jogar.

Alguns dias, eu temo a perspectiva de grupo de recreação. Alguns dias, acho que gostaria de nunca mais voltar. Mas é bom para ele e é importante, por isso continuamos.

Quando eu o pego na creche e ele está transbordando de palavras, eu estou tão animada e feliz por ouvi-lo falar e saber o que ele está pensando. Quando saímos da terapia da fala e ele teve uma boa sessão, estou na nuvem nove. Eu vivo em uma felicidade feliz por dois dias até ficar cara a cara com uma criança da sua idade que está contando histórias e falando em frases completas, e eu sou trazida de volta à Terra.

Eu nunca previ isso. Eu nunca pensei sobre isso. Quando voc√™ olha para baixo e v√™ um positivo rosa naquele pequeno xixi, voc√™ come√ßa silenciosamente a se preparar para qualquer potencial. Todos esperamos f√°cil. Esperamos gravidezes perfeitamente t√≠picas e beb√™s perfeitamente t√≠picos que se transformam em crian√ßas perfeitamente t√≠picas. Esperamos sa√ļde e desenvolvimento na pista. N√£o nos preocupamos com atrasos na fala, porque, francamente, h√° muito pior que pode acontecer, muitas situa√ß√Ķes mais dif√≠ceis de serem resolvidas, mas essa foi a circunst√Ęncia mais dif√≠cil para n√≥s.

Lidar com um atraso na fala é provavelmente um dos desafios mais difíceis que enfrentei na minha vida. Observar uma pequena pessoa ombro tanto é comovente. Imagine o quão solitário deve ser ficar entre as pessoas e não ter a capacidade de conversar com elas.

De maneira lenta e constante, seu discurso melhorou, mas sua compreens√£o aumentou exponencialmente mais rapidamente. Eventualmente chegou um momento em que ele poderia dizer mais, mas ficou mais frustrado do que no ano anterior. Na primeira vez em que analisamos sua avalia√ß√£o inicial, ficamos muito felizes em ver que ele alcan√ßou todos os seus objetivos. Que realiza√ß√£o! Mas, ent√£o, ele tinha novos objetivos, t√£o fora de alcance quanto o primeiro parecia estar. Ele ainda estava a quil√īmetros de dist√Ęncia de outras crian√ßas de suas idades, capazes de lhe dizer o que do√≠a e por que, ou compartilhar sua alegria. Agora ele tem quase 4 anos e fala em vez de bater e conta hist√≥rias maravilhosas sobre o seu dia. Os meses de batidas de cabe√ßa e gritos j√° se foram h√° muito tempo, mas n√£o consigo esquec√™-los.

Quando ele bateu, ou gritou, ou mordeu, quando ele jogou seus brinquedos para mim, ou quando ele começou a bater a cabeça no chão, tentei me colocar no lugar dele. Foi difícil. Por mais frustrado que fosse, sabia que sua frustração era cem vezes maior. Não importa o quão difícil foi para nós, deve ter sido infinitamente mais difícil para ele. Não conseguimos entendê-lo. Ele não podia nos dizer o que estava pensando. Quando ele descobriu algo novo e surpreendente sobre o mundo, não conseguiu compartilhá-lo. Às vezes, senti como se estivesse perdendo toda a maravilha de criar um filho pequeno, porque essa maravilha não me foi comunicada.

Nosso fonoaudi√≥logo costuma brincar dizendo que um dia eu irei procur√°-la e implorarei para que ele pare de falar. √Č uma piada que pretendia tranquilizar, mas quando ela diz que eu sei que nunca haver√° um dia em que digo que crian√ßas devem ser vistas e n√£o ouvidas. Nunca haver√° um dia em que eu gostaria que meus filhos calassem a boca. Nunca mais vou subestimar a import√Ęncia da comunica√ß√£o; conversar entre n√≥s mesmos, compartilhar hist√≥rias √© conectar-se com outra pessoa. A habilidade humana mais essencial √© a comunica√ß√£o, porque sem ela estamos sozinhos.