Adoção é uma palavra suja? Não em nossa casa.

Adoção é uma palavra suja? Não em nossa casa.

Anos atr√°s, eu pertencia a um clube do livro mensal composto por mulheres na casa dos 30 anos. Um amigo estava tentando desesperadamente ter um filho. Eu poderia me relacionar. Eu estive l√°.

Meu marido e eu tentamos por três anos conceber. Foi terrível. Lembro-me do desamparo de saber que não havia crédito ganho com a tentativa. Toda vez que minha menstruação começava, eu tinha que voltar ao final da fila da mamãe para esperar mais quatro semanas, enquanto passava por outras mulheres com suas ninhadas e barrigas prontas. O que os tornou tão férteis? Por que eles eram tão merecedores?

V√° diretamente para a falta de filhos. N√£o passe Go. N√£o colete US $ 200.

Eventualmente, fomos salvos desse ciclo doloroso de ‚Äútentar‚ÄĚ por nossa decis√£o de adotar. Um m√©dico entusiasticamente ofereceu promessas sobre tratamentos caros de fertiliza√ß√£o in vitro, mas eu j√° tive muitas decep√ß√Ķes m√©dicas. Sab√≠amos que a ado√ß√£o tamb√©m poderia ser cara e comovente, mas eu esperava que, quanto mais trabalhasse, mais perto a maternidade fosse. Desta vez, meus esfor√ßos seriam recompensados.

E assim eles fizeram. Meu marido e eu adotamos duas vezes. Nós nos tornamos pai e mãe. E, assim como qualquer novo pai que se envolve em pregar as maravilhas da paternidade, eu queria que todos se juntassem a mim.

“N√£o se preocupe”, eu sorri para o meu amigo, “sempre h√° ado√ß√£o! Apenas pense nisso. Tantas crian√ßas por a√≠ precisando de pais e n√≥s querendo filhos, que perfeita harmonia! N√£o √© maravilhoso termos op√ß√Ķes? Sempre h√° esperan√ßa!”

E, quando apresentei meu caso surpreendentemente simples de que a paternidade estava ao seu alcance, minha amiga olhou para mim com rigidez, sem sorrir e n√£o disse nada.

Sem uma palavra explicando por que a adoção estava aparentemente fora de questão, ela e o marido gastaram milhares de dólares em um procedimento de fertilização in vitro e sofreram com a tortura hormonal.

Quando isso n√£o funcionou, solicitei um pouco mais fraco. “Ado√ß√£o pode ser uma solu√ß√£o?” Ela agiu como se n√£o tivesse me ouvido.

Isso me incomodou. Meus filhos não eram tão valorizados? De alguma forma minha família não era tão real? Minha falha em empurrar meus filhos para fora do meu corpo os tornou menos meus? Menos amado? Acho que não.

Depois que a agonia absoluta de sua segunda falha na fertiliza√ß√£o in vitro, meses depois, meu amigo precisou economizar um bom tempo para pagar uma terceira. E l√° estava eu, m√™s ap√≥s m√™s, encarando-a do outro lado da mesa, conversando sobre minhas ador√°veis ‚Äč‚Äčmeninas e suas fa√ßanhas, esperando que ela visse que a ado√ß√£o era a resposta perfeita, um ac√©falo.

Mas ela nunca mencionou adoção. Eu nunca soube por que ela não adotaria ou não poderia adotar. E depois que uma terceira falha na fertilização in vitro, ela nunca teve um filho.

No final, não tenho certeza de qual sentimento era mais forte, minha esmagadora simpatia por ela, porque ela não seria mãe ou uma mágoa muito intensa por ter rejeitado a paternidade por adoção.

Que pena horrível.

Meu marido e eu adotamos duas meninas da China. Eles vieram até nós sem histórias, um pouco desnutridos e precisando desesperadamente de amor e família. Fizemos o possível para dar a eles tudo o que precisam. Eles nos deram mais do que poderíamos ter pedido.

Suponho que as pessoas rejeitem a ado√ß√£o porque temem n√£o ter v√≠nculo, ou que a crian√ßa tenha “problemas” ou que possa ser estranho ter um filho que n√£o se parece com eles. Argumento que, se as pessoas tivessem um entendimento claro de qu√£o dif√≠cil √© TODA a parentalidade, biol√≥gica ou n√£o, a ra√ßa humana teria morrido h√° muito tempo!

√Äs vezes h√° problemas? Certo. Pode haver momentos de tristeza ou vergonha, como quando eles se perguntam sobre o que poderia ter sido, estranhos fazem perguntas ofensivas ou quando os m√©dicos perguntam a nossas meninas sobre suas ‚Äúhist√≥rias m√©dicas familiares‚ÄĚ e temos que responder: ‚ÄúN√£o sabemos. “

Mas nada insuperável surgiu na década e meia desde que nossas filhas apareceram. E pense sobre isso. Nem toda família pode dizer isso. Ter filhos biológicos não indeniza uma família contra mágoa, crise ou sofrimento emocional.

Mas a adoção cria uma família.

Ent√£o, meu marido e eu desfrutamos de nossa fam√≠lia possibilitada pela ado√ß√£o. Tivemos 14 anos de festas de anivers√°rio, l√°grimas, aulas de dan√ßa, fraldas com coc√ī, mesada, funerais de peixes, discuss√Ķes sobre quem fez uma bagun√ßa na cozinha, febres assustadoras, risadas hist√©ricas, derby de patins, participar de futebol, cart√Ķes de biblioteca, abra√ßos, parando de futebol, f√≥rmula: “O que, voc√™ √© vegano agora ?!” e qualquer outra experi√™ncia que signifique que voc√™ ganhou esses cart√Ķes nos dias das m√£es e dos pais.

Nossas meninas, que enfrentaram circunst√Ęncias terr√≠veis desde o in√≠cio, agora est√£o seguras e amadas e t√™m um grande futuro pela frente.

E devemos tudo a uma criação humana maravilhosamente engenhosa

Adoção.