Quando devo dizer √†s minhas filhas que n√£o sou a √ļnica m√£e delas?

Quando devo dizer √†s minhas filhas que n√£o sou a √ļnica m√£e delas?

Minha filha de 6 anos, Alana, me acordou naquela manh√£ com sorrisos e abra√ßos: ‚ÄúMam√£e, mam√£e, mam√£e! Feliz Dia das M√£es!” Minha filha de 7 anos, Sophia, estava logo atr√°s dela, segurando uma √ļnica rosa vermelha com um cart√£o que ela mesma havia feito. Era a manh√£ com que sonhava desde os 10 anos de idade, quando tinha certeza de que queria ser m√£e.

Minha jornada para este dia não foi fácil. Levei uma eternidade para descobrir como namorar bem o suficiente para me casar. Então, meu marido, Sean, e eu passamos os próximos cinco anos em relacionamentos profundos com várias clínicas de fertilidade. Acabamos na melhor clínica de fertilidade do mundo, voando de Austin a Denver para exames de rotina e procedimentos complexos.

O primeiro passo em Denver foi uma s√©rie de testes no meu ciclo reprodutivo, e os resultados n√£o foram bons. Eu tinha 38 anos e meus ovos estavam muito velhos. √Č pouco prov√°vel que eles levem √† gravidez, naturalmente ou com assist√™ncia m√©dica.

√Č um tipo estranho de luto quando voc√™ chora pelo seu DNA. N√£o √© sobre uma crian√ßa que voc√™ conheceu, √© sobre crian√ßas que voc√™ nunca conhecer√°. N√£o se trata de n√£o ser pai ou m√£e, √© de n√£o segurar um beb√™ parecido com voc√™. √Č sobre n√£o ter um filho que compartilhe qualidades e maneirismos sutis com seus parentes ou um adulto que carregar√° uma pequena parte de voc√™ depois que voc√™ se for.

Chamamos a m√£e do DNA das minhas meninas de “Pam”. N√£o t√≠nhamos o nome verdadeiro nem a foto dela, apenas uma descri√ß√£o de duas p√°ginas que era principalmente uma hist√≥ria m√©dica. Ela era gerente de escrit√≥rio, ent√£o a chamamos de Pam em O escrit√≥rio. Ela gostava de golfinhos, ent√£o compramos para ela uma escultura de dois golfinhos de vidro azul no meio do salto como presente de agradecimento.

No dia das mães, Sophia me trouxe torradas de Nutella e café na cama, duas das minhas favoritas. Alana me deu algumas centenas de abraços. As meninas brincavam com seus primos. Passei um tempo com todas as mães de nossa família. Todos, com idades entre 6 e 77 anos, jogavam kickball no quintal com regras inventadas e muitas risadas. Era mais o dia que eu sonhava. Mas eu estava pensando, em parte da minha mente, que em breve contaria minhas amigas sobre Pam.

H√° alguns meses, a amiga mais velha de Sophia fez seu projeto da feira de ci√™ncias sobre genes dominantes e recessivos. Eu disse √† m√£e dela, apenas brincando, “N√£o deixe minhas meninas verem isso!” Minhas garotas t√™m olhos azuis. Os de Sean s√£o azuis e os meus s√£o marrons. Quais s√£o as chances estat√≠sticas disso, dado o nosso DNA?

Em algumas noites, quando nos aconchegamos antes de dormir, eu conto minhas hist√≥rias de nascimento √†s minhas meninas. Eu digo a eles que o pai deles e eu quer√≠amos ser pais muito, muito, mas que n√£o foi f√°cil. T√≠nhamos um m√©dico muito bom no Colorado e pegamos avi√Ķes nas montanhas nevadas para obter sua ajuda. Dissemos a eles que havia uma mulher especial que tamb√©m nos ajudou. Somos muito gratos pela ajuda dessas pessoas, porque agora somos a mam√£e e o papai de Alana e Sophia.

Fomos abertos sobre a nossa experiência de fertilização in vitro e óvulos de doadores com a família e amigos. Mas não contamos às meninas os detalhes de como a mulher nos ajudou.

Antes de tudo, a explicação requer uma compreensão de como o óvulo e o esperma produzem um bebê, o que é muita informação na idade deles.

Mas, acima de tudo, é porque eu não sei como dizer a eles que eles têm uma mãe com DNA que não sou eu. Será que eles se perguntam como ela é? Eles vão querer saber mais sobre ela? Será que eles sentirão falta dela, mesmo que nunca tenham se conhecido? Eles se sentirão distantes de mim, inconscientemente, porque estão mais conscientes de nossas diferenças físicas?

Se lhes contarmos cedo demais, eles ficar√£o confusos e tristes? Se contarmos a eles tarde demais, eles achar√£o que mantivemos um segredo importante deles?

No próximo dia das mães, minhas meninas saberão mais. Teremos muitas conversas ao longo do tempo, com base nas perguntas e no que faz sentido para a idade. Tenho orgulho da minha família. Tenho orgulho das minhas meninas. Mal posso esperar para que cheguem todos os dias das mães.