Minha filha n√£o precisa “calar a boca” e nem voc√™

Minha filha n√£o precisa

Nadejda Panina / Shutterstock

Uma velha amiga e eu estávamos tentando nos encontrar no outro dia, quando, menos de cinco minutos depois da conversa, ela parou, riu e disse: “Garoto, ela não está calada, não é?

Cristo, Eu pensei. De novo não. Não é isso de novo.

Veja, essa n√£o √© a primeira vez que fa√ßo essa pergunta. Na verdade, eu ouvi v√°rias varia√ß√Ķes disso ao longo da vida curta das filhas (ela se acalma? “Ela fica mais devagar?” “Ela p√°ra de falar? E o meu favorito, Deus, √© t√£o alto), mas isso √© porque a filha √© 3. Tr√™s anos de idade, e como tantas crian√ßas da idade dela, ela √© amig√°vel. Ela est√° de sa√≠da. Ela √© entusiasta, curiosa e perspicaz, e sim, √© faladora.

Ela é especialmente faladora quando estou ao telefone, quando não presta atenção total e total.

Claro, eu adoraria alguns minutos de silêncio. Adoraria ter uma conversa ininterrupta e sonho em mentir no meu leito, chutar as rodas e conversar (somente falando) enquanto estiver ao telefone. Mas não quero que o silêncio tenha um custo. Eu não quero que o silêncio chegue ao discurso da minha filha, e com certeza não quero que ela cale a boca.

Agora n√£o.

Nunca.

Porque n√£o h√° nada errado em falar alto. N√£o h√° nada de errado com ansiedade e expressividade. N√£o h√° nada errado com entusiasmo e curiosidade, e n√£o h√° nada errado com ela.

N√£o havia nada errado com o que ela estava fazendo.

Não se engane: não a deixe falar sobre os outros ou através dos outros. Ela está na biblioteca e sabe que não deve gritar em um filme. Bem, pelo menos, ela entende o que é e o que não é apropriado. Mas, novamente, ela tem 3 anos.

Mas implicando que ela deveria parar de cantar? Pare de jogar? Que ela deveria parar de falar em sua pr√≥pria casa s√≥ porque estou ocupada? S√≥ porque eu estou no telefone? √Č, n√£o. Foda-se n√£o, porque dizer cala-boca n√£o √© apenas rude, √© ignorante. √Č ofensivo. √Č humilhante. E isso √© perigoso.

Se ela ouvir essas palavras e mensagens afins, pode se sentir um fardo ou um inc√īmodo. Ela pode se sentir inibida ao falar o que pensa. Como eu fiz. Por mais que eu ainda o fa√ßa.

N√£o se engane: cresci em um lar feliz. Um lar amoroso. Uma fam√≠lia nuclear perfeita como a imagem fica em casa. Meus pais cuidavam de mim e me alimentavam da melhor maneira poss√≠vel, e raramente me diziam para calar a boca, mas eu sabia desde o in√≠cio que era demais. ‚ÄĚ Eu dancei demais. Eu cantei muito. Eu falei demais Eu subi muito alto. Eu corri longe demais e estava alto demais, muito hiperativo, muito louco e muito sens√≠vel.

Eu precisava me acalmar, me acalmar, relaxar e me acalmar. Eu precisava respirar, relaxar, descansar e relaxar. E eu fiz.

Com o tempo, as expectativas me silenciaram. A sociedade me engoliu, e eu me tornei a garota que deveria ser. Uma am√°vel e am√°vel pessoa que agrada as pessoas que raramente se levanta e nunca fala o que pensa.

Mas agora sei que n√£o precisava calar a boca. (Eu n√£o preciso calar a boca.) Voc√™ n√£o deve calar a boca e minha filha n√£o calar a boca, porque as palavras dela s√£o importantes. Os pensamentos dela s√£o importantes. Os sentimentos dela s√£o importantes. At√© aquela hist√≥ria que ela passou os √ļltimos 15 minutos me dizendo, sabe, aquela sobre Darth Vader e Cinderela montando uma galinha? Sim, isso importa.

E você também.

O mesmo acontece com a sua voz.

Então, você, o jovem e a menininha doce, digo o seguinte: seja ousado. Seja corajoso. Fique forte e não se importe. Fale tão alto (e orgulhoso) quanto você, porque você não é desagradável. Você não é irritante. Suas palavras não são vazias e sem sentido, e você se incomoda. Você não é demais.

Em vez disso, você é empoderado e apaixonado. Você é feroz, fervoroso e intenso, e é exatamente o que deve ser.

Você é exatamente quem precisa ser.