Ter filhos n√£o oferece um passe gr√°tis em espa√ßos p√ļblicos

Ter filhos n√£o oferece um passe gr√°tis em espa√ßos p√ļblicos

Mam√£e assustadora e jegesvarga / Getty

Eu estava sentado na sala de espera do est√ļdio de dan√ßa das minhas filhas, ansioso para relaxar. Meu marido estava em casa, cuidando dos outros tr√™s filhos.

Acabara de abrir meu livro quando tr√™s menininhas passaram correndo por mim, gritando e se balan√ßando entre as cadeiras. Duas das meninas pareciam ter mais ou menos a idade do jardim de inf√Ęncia e uma era crian√ßa.

Eles continuaram correndo pela área de espera, jogando algum jogo inventado e colidindo com todos e tudo. Uma mesa próxima exibindo folhetos e lanches e agora se tornara um ginásio improvisado para as crianças.

Fiquei chocado. Não porque volume ou energia são novos para mim. Eles não são. Eu tenho quatro filhos Em vez disso, fiquei chocado que as meninas pudessem tratar de um local movimentado de negócios como seu playground pessoal sem pais à vista.

As meninas haviam batido em outra crian√ßa cujo pai estava tentando levar a fam√≠lia pela porta da frente e entrar na sala de espera. O trio chegou a cent√≠metros de uma mulher idosa sentada perto do corredor. Eles eram t√£o altos que eu n√£o conseguia abafar suas vozes ouvindo m√ļsica atrav√©s dos meus fones de ouvido.

Marco Albuquerque / Unsplash

Por quarenta e cinco minutos s√≥lidos, as garotas fizeram uma terr√≠vel performance circense, com participa√ß√£o n√£o autorizada do p√ļblico. Eu acho que foi um caso fora da vista dos pais, fora da mente dos pais?

Finalmente, chegou a hora da demissão. Duas mulheres emergiram de um dos corredores dos fundos, café na mão, perdidas em uma conversa sussurrante. Dois garotos mais velhos seguiam atrás deles. As mães ergueram os olhos por uma fração de segundo, avistaram as meninas mais jovens que estavam perfurando um inflável decorativo e disseram que era hora de partir.

E assim, eles se foram, deixando uma bagunça em seu rastro.

Em meu caminho para casa, lembrei-me por que estou tão empenhado em ensinar meus filhos a RESPEITAR, em primeiro lugar. Ensinei calouros por nove anos e, a cada semestre, tinha pelo menos um punhado de estudantes que acreditavam inflexivelmente e genuinamente que quando recebiam uma nota ruim em um ensaio, foi minha culpa. Eles disseram que eu não gostava deles. Minhas diretrizes eram muito rígidas. Minhas expectativas eram muito altas. Não foi tão difícil no ensino médio. O plágio não é grande coisa.

Um aluno apareceu ap√≥s estar ausente por tr√™s sess√Ķes. Ele ficou depois que a aula terminou para me dizer por que ele se foi. Com a cara s√©ria, ele disse que o rabo de lagartos de estima√ß√£o estava gravemente ferido e que ele teve que faltar √†s aulas para levar o lagarto ao veterin√°rio. Ent√£o ele teve a aud√°cia de me perguntar se ele perdeu alguma coisa importante.

Esses eram os mesmos alunos que ingressavam nas aulas muito tempo após a participação, sem nenhuma preocupação em interromper o aprendizado dos colegas ou a minha aula. O pai de um aluno me ligou, reclamando que ele estava indo para o meu chefe porque seu filho estava falhando na minha aula. O pai me lembrou que ele pagava meu salário e certamente seu filho estava falhando porque eu era uma professora injusta, favorecendo os outros alunos.

O que eu n√£o podia dizer ao pai dos alunos, por causa das pol√≠ticas de privacidade da escola, era que seu precioso filho n√£o frequentava as aulas havia v√°rias semanas. Essa n√£o foi a primeira identifica√ß√£o telef√īnica principal recebida. Nem foi a √ļltima.

Ser professor universitário me deu uma idéia do que pode acontecer quando as crianças não respeitam outras pessoas e espaços. Essas crianças crescem rapidamente e se tornam jovens adultos que não têm responsabilidade pessoal ou habilidades interpessoais essenciais. Eles são (parecem ter) direito e desrespeitoso.

Ou√ßa, entendi. Ser pai √© dif√≠cil. Eu estive nisso por mais de uma d√©cada e com quatro filhos, n√£o √© f√°cil. Como sempre. E, √© claro, considera√ß√Ķes especiais, alguma gra√ßa e um pouco de empatia precisam ser dadas aos outros quando eles n√£o est√£o se comportando da maneira que consideramos apropriada. Afinal, n√£o sabemos a hist√≥ria completa.

Mas isso n√£o significa que podemos renunciar √†s nossas responsabilidades parentais. E isso n√£o significa que tamb√©m n√£o podemos deixar as crian√ßas serem crian√ßas, curtindo a inf√Ęncia, sem cri√°-las como idiotas sem considera√ß√£o.

Ent√£o n√£o, meus filhos n√£o podem fazer o que querem, por favor. Eles t√™m consequ√™ncias por suas m√°s decis√Ķes. E eles n√£o conseguem dar as ordens.

Agora eu sei o que você está pensando. Criar filhos respeitosos é mais fácil falar do que fazer, certo? Absolutamente. Parentalidade é muitas vezes uma porcaria. Há muita tentativa e erro. Mas o ponto é que precisamos tentar.

Quando eu carrego a minivan e levo meus quatro filhos para algum lugar, digamos uma casa de amigos, meus filhos sabem que v√£o conversar. Discutimos para onde estamos indo, o que faremos e o que espero deles. Claro, eles podem suspirar e revirar os olhos no momento, mas isso n√£o vai me impedir.

Primeiro, boas maneiras. Por favor e obrigado você é básico. Quando conhecer alguém novo, olhe-o nos olhos e apresente-se com uma voz clara. Se você precisar de algo, peça. Se você cometer um erro, peça desculpas.

A seguir, voc√™ respeitar√° os espa√ßos de outras pessoas. Seja um neg√≥cio, um local p√ļblico, como um parque ou a biblioteca ou algu√©m em casa, conhece as regras e as segue. Se formos √† casa de algu√©m, perguntamos se devemos remover nossos sapatos ou mant√™-los. Oferecemos oferecer algo, geralmente um lanche, para compartilhar. Quando nos preparamos para sair, limpamos as bagun√ßas que cometemos e agradecemos ao anfitri√£o por nos convidar.

E, é claro, tenha consideração pelos outros, especialmente aqueles que são mais jovens, mais velhos ou deficientes. Observe para onde está indo e o que está fazendo. Segure a porta para a próxima pessoa. Fique na mesa até que todos terminem de comer. Não grite.

Quando fazemos essas coisas, mostramos respeito pelos outros, mas também por nós mesmos. Porque todas as pessoas têm valor e merecem ser consideradas como tais.

Pais, se não prestarmos atenção agora, piscaremos e nossos filhos atingirão a idade adulta, acreditando que seus futuros professores, parceiros e chefes devem atender aos seus caprichos. E como todos sabemos, não é assim que o mundo real funciona. Sem mencionar que, ao longo do caminho, estamos arruinando as coisas para os outros. Ter filhos não oferece um passe gratuito para ignorar cortesias comuns ou evitar ensinar aos nossos filhos maneiras básicas.

Ser pai é difícil como o inferno. Exaustivo, exigente e implacável. Mas temos que continuar tentando.

Nossos filhos merecem.