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Sou grata pelos meus filhos, mas de coração partido por ter sido roubada da capacidade de ter mais

Sou grata pelos meus filhos, mas de coração partido por ter sido roubada da capacidade de ter mais

LeandroHernandez / iStock

Em fevereiro de 2016, fui diagnosticado com c√Ęncer de mama em est√°gio III. Eu tinha 33 anos e, quando o m√©dico nos perguntou se quer√≠amos tomar alguma provid√™ncia para preservar nossa fertilidade, ambos recusamos firmemente, n√£o porque n√£o quer√≠amos mais filhos. Na verdade, t√≠nhamos planejado tentar o terceiro direito nessa √©poca.

Optamos por n√£o avan√ßar porque isso atrasaria o tratamento e eu teria que passar por terapia hormonal para colher ovos. Tendo feito isso no passado e sabendo o qu√£o dif√≠cil era f√≠sica e emocionalmente, eu n√£o estava preparado para estar nessa posi√ß√£o enquanto vivia sob um diagn√≥stico agressivo de c√Ęncer. Al√©m disso, j√° tivemos dois filhos lindos que raciocinamos e a fertiliza√ß√£o in vitro √© cara. N√£o t√≠nhamos certeza de que estar√≠amos na posi√ß√£o financeira para pagar tratamentos de fertilidade no futuro ou se eu gostaria de estar sujeito a outra dif√≠cil gravidez ap√≥s o c√Ęncer. Supondo que houvesse uma vida p√≥s-c√Ęncer.

Obviamente já tínhamos muito em nosso prato. Em vez disso, fomos a todo vapor com mais de um ano de quimioterapia, cirurgia e radiação. Meu corpo foi espancado e abusado pela guerra contra doenças e sofremos profundas dores emocionais e financeiras. Aqueles foram alguns dias sombrios, mas conseguimos passar com muito amor e apoio de amigos, familiares e até estranhos.

Agora, h√° dois meses, recebi minha √ļltima dose de radia√ß√£o. Vou fazer uma cirurgia reconstrutiva nos meus seios no outono, mas a parte dif√≠cil, a parte de luta, est√° atr√°s de mim. O que tamb√©m est√° no deserto do meu passado √© a minha capacidade de gerar filhos. Obviamente, sab√≠amos que esse era provavelmente o resultado do tratamento e fizemos essa escolha. Hoje, por√©m, quando come√ßamos a resolver as coisas do beb√™ para dar aos amigos e vender em uma venda de garagem, todo o peso dessa decis√£o est√° sobre mim.

Fui uma mulher incapaz de conceber filhos, uma mulher gr√°vida, uma mulher que abortou e uma mulher que deu √† luz dois filhos. Nossas duas meninas eram beb√™s milagrosos, surgindo depois que a esperan√ßa foi perdida e anos de tentativas e interven√ß√Ķes m√©dicas n√£o renderam nada. Agora, estou reunido com a dor de n√£o ser capaz de conceber. S√≥ que desta vez, tenho n√≥dulos firmes e sem mamilos, onde os seios devem estar, e um penteado curto cortado por um menino, proveniente de um novo crescimento p√≥s-quimioterapia.

Olhar para a pilha de brinquedos espalhados na sala que est√° esperando para ser organizada parece mil facas no meu cora√ß√£o. O c√Ęncer tomou tanto de n√≥s que √© ao mesmo tempo exaustivo e devastador pensar no amor que nos resta para dar que n√£o ser√° gasto em outro beb√™ em nossa casa. √Č claro que amamos nossos filhos, e eles s√£o mais do que jamais poder√≠amos esperar. Mas acho normal lamentar o final desta temporada, o fim dos dias da minha vida em que poderei trazer nova vida a este mundo. Vida criada pela mistura de nossas almas. O fim desse v√≠nculo incrivelmente doce nascido do puro amor por um filho perfeito, inocente e novinho em folha.

Como mães, todos nós enfrentamos este dia. Para alguns de nós, a decisão é mais fácil. Minha namorada, que alegou ter terminado a criança no. 2, entregou seus itens de bebê depois do bebê no. 3. Alguns de nós perderam filhos. Alguns de nós nunca experimentarão ter nossos próprios filhos. Alguns de nós terão esse caminho em breve, como uma calçada que termina abruptamente à beira de um precipício. Minhas pernas sabiam o suficiente para parar de andar, mas meu coração caiu limpo.

Um dia farei as pazes com o bebê que nunca voltou para casa. Um dia farei as pazes com o sonho, o desejo, a esperança de mais um capítulo. Hoje à noite, deixarei meu marido vasculhar os brinquedos e amanhã trabalharei na reparação dos pedaços do meu coração. Pouco a pouco. Um dia de cada vez.