Síndrome alcoólica fetal é mais prevalente do que pensávamos

Síndrome alcoólica fetal é mais prevalente do que pensávamos

Síndrome alcoólica fetal é mais prevalente do que pensávamos

Highwaystarz-Photography / Getty Images

Muitos de nós pensamos na síndrome do álcool fetal, onde o consumo de álcool pelas mães tem um efeito adverso sobre o bebê em gestação, como um problema do passado. As mulheres sabem melhor do que beber durante a gravidez, certo? Ou talvez pensemos nisso como algo reservado apenas para uma pequena porção de pessoas.

Mas um estudo publicado no JAMA est√° nos alertando sobre o fato de que os dist√ļrbios da s√≠ndrome alco√≥lica fetal (FASDs) s√£o realmente muito mais prevalentes do que imagin√°vamos, afetando at√© 5 vezes mais crian√ßas do que se pensava anteriormente. Como O jornal New York Times ressalta, as novas estimativas de crian√ßas que sofrem de FASDs est√£o na mesma propor√ß√£o do n√ļmero de crian√ßas diagnosticadas com autismo.

Os pesquisadores do estudo coletaram dados de cerca de 6.000 alunos da primeira s√©rie de 4 comunidades diversas nos EUA, incluindo as regi√Ķes Centro-Oeste, Montanha Rochosa, Sudeste e Sudoeste do Pac√≠fico. Em cada local, as crian√ßas foram estudadas ao longo de dois anos acad√™micos. As crian√ßas foram avaliadas quanto a sinais de FASD, e suas m√£es ou outros parentes pr√≥ximos foram entrevistados quanto √† exposi√ß√£o pr√©-natal ao √°lcool.

A preval√™ncia de FASD foi mensurada entre 1,1 e 5%, mas mesmo essa √© uma estimativa conservadora. Usando uma abordagem de preval√™ncia ponderada que assumiu que a taxa de FASD em crian√ßas avaliadas seria a mesma em todas as crian√ßas eleg√≠veis da primeira s√©rie em cada comunidade, a preval√™ncia estimada de FASD foi maior, variando de 3,1 a 9,8% entre os locais do estudo, explica Institutos Nacionais de Sa√ļde (NIH) em um editorial sobre o estudo.

De fato, como aponta o NIH, a maioria das crian√ßas que foram diagnosticadas com FASD pelos pesquisadores do estudo nunca havia sido diagnosticada anteriormente, o que significa que o dist√ļrbio n√£o √© apenas mais comum do que se pensava, mas tamb√©m √© amplamente tratado. sugere que crian√ßas com FASD geralmente n√£o s√£o diagnosticadas ou diagnosticadas incorretamente, eles observam.

Pessoal, isso √© assustador, principalmente porque o FASD √© um dist√ļrbio grave que tem efeitos ao longo da vida em nossos filhos. Todos devemos nos preocupar com isso.

Como o CDC explica, os dist√ļrbios da s√≠ndrome do √°lcool fetal se referem a uma ampla gama de condi√ß√Ķes que podem afetar as crian√ßas de maneira leve ou mais grave. Os sintomas incluem anormalidades faciais, tamanho e estatura pequenos da cabe√ßa, dificuldades de aprendizagem, atraso na fala, baixo QI, baixo desempenho escolar e dificuldade de racioc√≠nio ou capacidade de julgamento. Doen√ßas f√≠sicas com cora√ß√£o, rins ou ossos tamb√©m s√£o poss√≠veis.

A Academia de Pediatria Americana (AAP) tem uma abordagem de toler√Ęncia zero ao consumo de √°lcool entre as m√£es, afirmando em um relat√≥rio de 2015 que nenhuma quantidade de ingest√£o de √°lcool deve ser considerada segura para a m√£e gr√°vida. O CDC tem uma opini√£o ainda mais dura sobre a coisa toda, recomendando em 2016 que todas as mulheres sexualmente ativas que n√£o usam controle de natalidade n√£o bebam √°lcool de todo o racioc√≠nio, pois metade das gesta√ß√Ķes n√£o √© planejada.

E, embora isso possa parecer totalmente irritante para muitos de n√≥s, quando voc√™ considera o qu√£o vulner√°veis ‚Äč‚Äčs√£o os beb√™s em desenvolvimento e as consequ√™ncias devastadoras de beber durante a gravidez, voc√™ pode ver de onde eles v√™m.

O que pode ser especialmente confuso para as mães é que todos ouvimos histórias de algumas mulheres que podem beber um pouco durante a gravidez e não têm problemas. Mas para outros, um pequeno copo de vinho pode ter consequências terríveis.

Provavelmente, n√£o h√° duas mulheres no planeta que tenham bebido a mesma quantidade no mesmo dia da gravidez, disse ao The New York Times Susan Astley, diretora da Rede de Diagn√≥stico e Preven√ß√£o da S√≠ndrome do √Ālcool Fetal da Universidade de Washington. E o √°lcool n√£o afeta todos os fetos da mesma maneira.

Além do fato de que deve haver melhor educação e apoio para mães grávidas (ou qualquer mãe que possa engravidar), também precisamos estar cientes do fato de que mais crianças do que imaginamos podem ser afetadas pelo FASDall sem que nenhuma de nós realmente saiba. Isso é algo que os educadores ou qualquer pessoa que trabalhe com crianças precisa conhecer.

A exposi√ß√£o pr√©-natal ao √°lcool √© uma das principais causas evit√°veis ‚Äč‚Äčde defici√™ncias no desenvolvimento em todo o mundo, explicou George F. Koob, diretor da NIAAA. Os resultados deste estudo confirmam que a FASD √© um problema significativo de sa√ļde p√ļblica, e s√£o necess√°rias estrat√©gias para expandir a triagem, diagn√≥stico, preven√ß√£o e tratamento.

SIM: devemos educar e agir. Todos os beb√™s merecem o melhor, e precisamos descobrir uma maneira de garantir que os dist√ļrbios da s√≠ndrome do √°lcool fetal se tornem muito menos comuns do que rapidamente. E precisamos fazer isso agora.