O que eu desejo que os outros soubessem sobre a infertilidade secund√°ria

O que eu desejo que os outros soubessem sobre a infertilidade secund√°ria

domoyega / Getty

Eu nunca tinha ouvido falar em infertilidade secund√°ria at√© estar no meio dela. √Č definida como a incapacidade de engravidar ou de levar a termo a gravidez ap√≥s o nascimento de um ou mais filhos biol√≥gicos. A infertilidade secund√°ria traz seu sofrimento √ļnico a um casal que tenta engravidar.

Quando nossa filha fez um, começamos a tentar nosso segundo filho. Eu sempre quis que meus filhos fossem próximos em idade. Infelizmente, isso não ocorreu imediatamente e depois de seis meses, comecei a ficar impaciente. Mais alguns meses se passaram e fui ver meu médico de família. Ela me garantiu que estava tudo bem e, ao mesmo tempo, fez uma referência proativa à clínica de fertilidade. Eu ficava me dizendo que isso iria acontecer. Ainda assim, se aconteceu uma vez tão facilmente sem nenhuma intervenção, por que não estava acontecendo novamente?

Com o passar do tempo, sem sucesso, fiquei emocionalmente fr√°gil para dizer o m√≠nimo. Eu senti como se cada m√™s que passasse fosse uma montanha-russa. Nas duas primeiras semanas do m√™s, est√°vamos no topo da corrida e, depois da ovula√ß√£o, a cada dia que pass√°vamos, mergulh√°vamos no fundo. Os altos e baixos eram inevit√°veis ‚Äč‚Äče fiquei tonto. Comecei a me isolar das pessoas ao meu redor porque me sentia muito mal por mim e pela situa√ß√£o. Eu me senti defeituoso, como se algo estivesse errado comigo e que meus amigos iriam descobrir. A vergonha se tornou demais para suportar.

A verdade é que, a menos que você esteja no caminho da infertilidade, não poderá compreender a enormidade da dor sofrida pelas mulheres que enfrentam essa batalha todos os dias, de período em período. De fato, embora exista muita tristeza sobre quem é confrontado com um diagnóstico como resultado de uma doença, por mais grave que seja, há uma expressão muito mais aberta de outras doenças do que a infertilidade. A incapacidade de engravidar não é apenas um tópico de conversa, mesmo entre amigos íntimos. Assim, o silêncio reina.

Por mais dif√≠cil que seja o estigma da infertilidade, iniciar o tratamento de fertilidade foi igualmente doloroso. Era como outra mini montanha-russa, mas maior. Meu marido e eu passamos por todos os testes de fertilidade e finalmente descobrimos que est√°vamos lidando principalmente com a infertilidade por fatores masculinos. Eu tinha v√°rios fatores abaixo do ideal, incluindo um √ļtero em forma de cora√ß√£o e problemas imunol√≥gicos leves.

Mesmo que eu tenha sentido um pouco de conforto quando o médico de fertilidade explicou que provavelmente não estávamos engravidando devido a um fator de fator masculino, esse fato realmente foi de pouca ajuda no cenário geral e certamente foi um grande sucesso para meu marido. Para mim, era como se minha identidade estivesse ligada à fertilidade e que eu fosse fértil fosse tão importante para mim e para a maioria das mulheres. Fiquei pensando: sou mulher e esse é meu direito, uma crença profundamente enraizada em nossa cultura.

Tr√™s insemina√ß√Ķes intra-uterinas se seguiram e ainda n√£o houve gravidez. O tempo estava passando e minha paci√™ncia, toler√Ęncia e relacionamentos estavam sendo testados. E ent√£o aconteceu. Eu nunca esquecerei o dia. Fui durante o meu dia tr√™s ultra-sonografias para iniciar um novo ciclo de tratamento e o m√©dico aconselhou que ele achava que nossa melhor rota seria a fertiliza√ß√£o in vitro (FIV). Eu n√£o podia acreditar. Passamos da concep√ß√£o natural para a necessidade dessa grande interven√ß√£o. Eu me senti t√£o triste naquele dia, como se tivesse ca√≠do da montanha-russa diretamente de cima.

Em 2006, um m√™s ap√≥s a recomenda√ß√£o de realizar a fertiliza√ß√£o in vitro, n√≥s o fizemos. Esse foi um processo longo e √°rduo que afetou minha mente e corpo. Lembro-me de pensar que, se eu superar isso com sucesso, vou ajudar outras pessoas que est√£o lidando com o mesmo problema. No final do tratamento, tivemos quatro embri√Ķes. Decidimos transferir dois, no terceiro dia. Fomos bem-sucedidos e dez meses depois dei √† luz g√™meos.

Hoje colho os benef√≠cios das dificuldades que sofri. A gratid√£o que senti desde a concep√ß√£o dos nossos g√™meos √© como nada que eu pudesse colocar em palavras adequadamente. Minha paci√™ncia e toler√Ęncia como m√£e, minha empatia e compreens√£o pelos outros que est√£o lutando, meu desejo de viver a vida ao m√°ximo e fazer com que todos os dias valham todos foram aumentados. Mesmo dez anos depois, tenho tanto orgulho que conseguimos.

Eu me senti e ainda me sinto tão agradecido que queria retribuir. Quando os gêmeos completaram dois anos, comecei a administrar um grupo de apoio a mulheres que lutavam contra a infertilidade. Minha intenção era apoiar outras pessoas que estavam passando pelos mesmos desafios pelos quais passei. Eu queria compartilhar minha história de esperança com aqueles que estão no meio desse tumulto horrível de montanha-russa. Eu queria ajudá-los a aproveitar o passeio, olhando o horizonte dos altos e baixos.

O que aprendi com toda a minha dor e sofrimento foi administrar minha situação e lidar com ela, não me desesperar e não estar tão imerso em meus próprios problemas que eu não conseguia aproveitar cada dia de alguma maneira. Eu desenvolvi técnicas para ajudar a mim e a outras mulheres nessa luta contra a infertilidade.

O que tenho certeza é que essa experiência, com todas as suas dificuldades, enriqueceu minha vida.