O peso da gravidez que você não pode ver

O peso da gravidez que você não pode ver

O peso da gravidez que você não pode ver

Karen Agatone

Este sou eu com 28 semanas de gravidez, logo antes de sair para o meu ultra-som para verificar como está o meu bebê. Eu me senti feliz, relaxado e até confiante em como eu parecia tanto, que queria tirar uma foto minha para capturar o momento. Depois de ver meu filho no ultrassom medindo as semanas seguintes, senti ainda mais orgulho nessa barriga por nutrir um bebê grande e saudável.

Horas depois, em uma massagem pré-natal com a qual eu estava me tratando, a massoterapeuta perguntou quanto tempo eu estava e, quando contei a ela, ela respondeu chocada e disse: “Oh, uau. Você tem um longo caminho a percorrer. Você está carregando mais de um bebê? Não, eu não estava. Minha felicidade e confiança foram direto pela janela. Todo esse orgulho que senti por minha capacidade de carregar um bebê grande parecia de alguma maneira equivocado e fiquei envergonhado por ter entendido errado. Meus sentimentos de culpa e até vergonha pela aparência parecem borbulhar na superfície.

Veja, h√° alguns meses, estou gr√°vida h√° mais de um ano. Perdi meu primeiro beb√™ com 21 semanas e, menos de tr√™s meses depois, ainda no meio de tristeza e tristeza, de alguma forma consegui conceber minha gravidez atual. Meu corpo nunca teve a chance de se recuperar. E como p√īde depois do trauma que sofri? Eu criei e carreguei um beb√™ al√©m da marca do meio, apenas para perd√™-la.

Emocionalmente, foi esmagador. E fisicamente, meu corpo passou por todos os movimentos de recupera√ß√£o depois de dar √† crian√ßa horm√īnios p√≥s-parto, sangramento, c√≥licas abdominais e, o mais doloroso de tudo, ter meu leite sem beb√™ para alimentar. Mesmo quando o peso caiu porque eu estava triste demais para comer, minha barriga p√≥s-parto ficou presa, me lembrando que eu deveria estar gr√°vida, mas n√£o estava mais. Aprendi muito sobre o que meu corpo era capaz nessas semanas, mas tamb√©m aprendi que, quando voc√™ perde um beb√™, independentemente da idade gestacional, geralmente h√° uma pontada (ou muito mais) de culpa por ter feito algo errado e que seu corpo falhou com voc√™. N√£o fui exce√ß√£o a essa teoria e a internalizei profundamente.

Eu olhei para o meu corpo com decepção e raiva. Eu estava com medo de ser íntimo novamente, mas quando o fizemos, eu apenas assumi que meu corpo me decepcionaria quando se tratava de concepção. Não. Eu concebi tão rapidamente que duvidava da capacidade do meu corpo de continuar carregando a gravidez e criar um bebê saudável. Meu primeiro trimestre estava cheio de ansiedade constante e auto-aversão. Mas com o passar das semanas, comecei a perceber que talvez meu corpo não me falhasse dessa vez e o bebê dentro de mim pudesse ser aquele que eu seguraria em meus braços depois de 40 semanas. Fiquei confortável, mesmo admirando meu corpo e como ele é resiliente.

O que a massoterapeuta comentando sobre o meu tamanho n√£o percebeu foi o longo e doloroso caminho que eu havia percorrido para chegar a esse est√°gio da gravidez e me sentir feliz com isso. Ela n√£o viu que o beb√™ dentro de mim me trouxe de volta √† vida pela tristeza da dor e do desespero. Ela n√£o podia ver que meu corpo n√£o est√° apenas carregando um beb√™, est√° carregando a mem√≥ria de outro, junto com as esperan√ßas e sonhos de ter um filho vivo e iniciar uma fam√≠lia muito procurada. Conhe√ßo essa mulher ou qualquer outra pessoa que encontro nunca ser√° capaz de ver tudo isso, mas a √ļnica pessoa que pode sou eu. E realmente, sou o √ļnico que importa quando se trata de como vejo meu corpo. Esse corpo nunca me falhou; o que me falhou foi a minha percep√ß√£o de qu√£o incr√≠vel √© esse corpo.

A verdade é que todos nós estamos carregando alguma coisa. Talvez seja uma nova vida, talvez seja uma perda passada ou talvez um pouco de ambos. Talvez seja medo, esperança, alegria e dor, todos misturados. Mas o que você está carregando, com certeza é mais significativo do que o que você vê no espelho.