Psicologia

N√£o me culpe pelos pecados dos meus filhos

N√£o me culpe pelos pecados dos meus filhos

Anne Marie Hochhalter, uma sobrevivente da trag√©dia da escola em Columbine, escreveu recentemente uma carta para a m√£e de Dylan Klebolds, Sue, perdoando-a pelos pecados dos filhos. Na carta sincera, escrita na v√©spera da apari√ß√£o de Klebolds nos ABCs 20/20 para discutir as a√ß√Ķes horr√≠veis dos filhos, Hochhalter escreveu: A Hindsight √© realmente 20/20 e tenho certeza de que voc√™ se angustiou com o que poderia ter feito de diferente. Ela passou a dizer a Klebold que n√£o tinha mais m√° vontade em rela√ß√£o a ela e desejou-lhe bem.

Enquanto eu lia e relia a carta de Hochhalters e depois assisti Sue Klebold no 20/20, N√£o pude deixar de me perguntar: por que julgamos Klebold t√£o duramente pelas a√ß√Ķes de seu filho? Por que ela foi difamada na imprensa, apesar de n√£o ter cometido nenhum crime? Que motivo poder√≠amos ter para pedir desculpas a uma mulher que n√£o tinha ideia de que seu filho seria o pior tiroteio em escola de massa da hist√≥ria dos EUA?

Durante a entrevista, Klebold usou palavras como pais talentosos e simp√°ticos e pr√°ticos para descrever seu filho. Imagens dele brincando com Legos, pescando perto de um lago do Colorado e usando um chap√©u Red Sox e um sorriso torto passaram pela televis√£o. Ela descreveu uma inf√Ęncia aparentemente id√≠lica: pais instru√≠dos, um lar est√°vel, boas escolas, uma s√≥lida rede de amigos. As estat√≠sticas acompanharam as imagens: 85% dos atiradores de escolas de massa s√£o meninos adolescentes, 50% dos atiradores se saem bem na escola e 73% nunca foram presos.

A história de Sue Klebolds me fez examinar minha própria vida: sou mãe de um adolescente aparentemente bem ajustado que ama Legos, se sai bem na escola e nunca está com problemas. E ele também ama o Red Sox.

Lá pela graça de Deus eu vou, e quem sou eu para julgar?

Fiquei sentada, fascinada, esperando o momento do a-ha, naquele segundo em que ela percebeu que seu filho estava perturbado, quando ela poderia ter feito alguma coisa, de alguma forma, intervindo, para impedir esse trágico tiroteio na escola. E ainda, mesmo 17anos depois, o choque que seu filho foi capaz de cometer um crime tão hediondo ainda está escrito em todo o seu rosto. Ela, como todos nós, tem tentado descobrir onde errou, o que poderia ter feito de diferente.

Como m√£e de um garoto adolescente, meu cora√ß√£o d√≥i por ela. Meus olhos se encheram de l√°grimas quando a ouvi dizer que ela agonizava todas as suas decis√Ķes sobre pais todos os dias desde aquele fat√≠dico dia de abril de 1999. Por mais desconfort√°vel que seja dar cr√©dito √† sua tristeza, devemos lembrar que ela perdeu o filho que dia tamb√©m. Alguns argumentam que ela o perdeu muito antes do dia das filmagens, mas permanece o fato de que uma m√£e ficou para tr√°s confusa, chocada e for√ßada a analisar todas as a√ß√Ķes que j√° fez como m√£e.

√Č f√°cil olhar para ela e colocar a culpa. √Č f√°cil julg√°-la, difama-la, vomitar palavras de √≥dio contra ela, porque n√£o queremos admitir a verdade para n√≥s mesmos: vemos nossos pais nos dela. Isso poderia acontecer conosco tamb√©m.

Vemos nossas pr√≥prias inseguran√ßas parentais quando observamos a falha de Sue Klebolds em reconhecer os sinais de alerta de que seu filho estava com problemas. Vemos nossa retic√™ncia em denunciar o comportamento de outra crian√ßa como suspeita por medo de ofender vizinhos ou colegas pais. Vemos nossa hesita√ß√£o em falar abertamente com outro pai sobre suas escolhas como pai. Certo, errado ou indiferente, muitas pessoas falharam com Dylan Klebold e as v√≠timas de Columbine naquele dia, n√£o apenas com SueKlebold. Ela fez o melhor que p√īde, assim como o resto de n√≥s.

Todos os dias fa√ßo escolhas sobre cuidar dos meus filhos. Eu tento fazer tudo o que os especialistas dizem: fa√ßa perguntas abertas e ou√ßa as respostas. Esteja presente e no momento para aqueles momentos em que eles realmente precisam de mim. Eu os for√ßo a falar comigo e me recuso a deix√°-los desligar emocionalmente. E nos dias dif√≠ceis em que eles agem ou tenho certeza de que estou estragando tudo, me preocupo que hoje possa ser o dia que poder√° alterar o curso de suas vidas e fazer com que eles fa√ßam escolhas terr√≠veis quando ficarem mais velhos. Eu me preocupo que, mesmo com as melhores inten√ß√Ķes todos os dias, isso possa n√£o ser suficiente.

Preocupo-me por ser julgado pelos pecados de meus filhos, n√£o importa o quanto trabalhe para ser um bom pai.

E tenho certeza que SueKlebold alimentou os mesmos tipos de medos, até 20 de abril de 1999.

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