Meu marido não se relacionava com o recém-nascido (mas tudo acabou bem)

Meu marido não se relacionava com o recém-nascido (mas tudo acabou bem)

Meu marido não se relacionava com o recém-nascido (mas tudo acabou bem)

vandame / Shutterstock

Não sei o que esperava, mas não foi indiferença.

Ele segurou nosso bebê, é claro. Posamos para fotos, frente a frente com nosso recém-nascido mole, sorrindo. Trocou uma fralda obrigatória aqui e ali, e cochilou com o bebê no peito, como a maioria dos pais. Mas não consegui afastar a sensação atormentadora de que meu marido não estava tão apaixonado por nosso filho como eu, e isso gerou um medo de que ele não fosse o tipo de pai que eu esperava que fosse.

Talvez eu estivesse paran√≥ica, tendo crescido em grande parte sem um pai. Para os meus filhos, eu queria um pai pr√°tico, do tipo que os ensinasse a andar de bicicleta e os pescasse, enquanto distribu√≠a petiscos de sabedoria paterna. Meu pr√≥prio pai, antes de decidir que estava cansado do papel e se separar, era praticamente um substituto no espa√ßo tradicional do pai, o ganha-p√£o, o cara que trocou as l√Ęmpadas e desobstruiu o banheiro. Nunca o tipo de identifica√ß√£o com quem eu confio ou mesmo saio. Abra√ßos ou quaisquer demonstra√ß√Ķes externas de amor paternal, realmente n√£o eram coisa dele.

Masmeujuro que as crianças teriamrealPapai. Do tipo que lhes mostrava todos os dias o quão importantes eram para ele. O tipo que estava presente, envolvido e ativo. Como os pais na TV. Como o tipo que eu sempre desejei ter. E quando decidi que iria dedicar minha vida ao homem que seria meu marido, foi parcialmente porque vi nele o potencial de ser o tipo incrível de pai que eu queria para meus futuros filhos.

No entanto, aqui estávamos com nosso filho recém-nascido, a quem eu amara instantaneamente, desde o momento em que vi seu rostinho inchado. Eu estava apaixonada. Eu poderia ter olhado para ele por horas, e o fiz algumas vezes, absorvendo todos os detalhes de seus longos cílios e unhas em miniatura. Meu marido não estava tão apaixonado por ele. Ele foi solidário, ajudando com o que eu pedi, mas tive a clara sensação de que vinha mais de um lugar de dever e não do desejo de cuidar de seu bebê.

As semanas se passaram. Meses se passaram. Fiquei desiludido. Talvez seja assim que os homens eram? Talvez eu tenha entendido tudo errado, essa ideia de como a paternidade deveria parecer. Ou talvez eu tivesse inadvertidamente continuado um padr√£o escolhendo um homem como meu pai, indiferente e desinteressado. Eu estava assustado e estressado.

Mas depois de um tempo, eu digo que por volta dos seis meses, algo mudou, e era como se o relacionamento do meu marido com nosso filho tivesse meio que decolado. Ele descobriu as maneiras mais seguras de faz√™-lo rir e se deliciou com o fato de a risada do beb√™ ser uma vers√£o min√ļscula dele. Desse ponto em diante, eles eram como duas ervilhas em uma vagem, para meu profundo al√≠vio, e eu percebi uma coisa: meu parceiro, em termos de paternidade, era apenas um pouco tardio. Ele s√≥ come√ßara a se relacionar com nosso filho quando o beb√™ tinha idade suficiente para demonstrar algo tang√≠vel em troca de um sorriso, uma risada, estendendo as m√£os gordinhas.

Faz muito mais sentido para mim em retrospectiva. Pode ser mais f√°cil para as m√£es investirem no beb√™ desde o in√≠cio. Temos nove meses experimentando fisicamente seu crescimento, o intenso trabalho de parto e parto e a ajuda de horm√īnios maternos que fluem por nossos corpos para iniciar o processo de v√≠nculo. Os pais apenas assistem a tudo isso acontecer com outra pessoa e aparecem quando chega a hora, e espera-se que sejam automaticamente dedicados simplesmente porque, bem, eles s√£o os pais. E alguns paisestamosinstantaneamente apaixonado por seus rec√©m-nascidos. Para alguns, por√©m, leva apenas mais tempo e a capacidade de obter algo do relacionamento emergente. Mas, como eles realmente n√£o podem dizer: Ei, eu n√£o sou tudo sobre esse beb√™ (quero dizer, voc√™ pode imaginar a rea√ß√£o ?!), eles t√™m que passar pelos movimentos at√© chegar o dia em que eles realmente possam desfrutar do filho.

Já passamos por quatro recém-nascidos juntos agora, e posso dizer-lhe que meu marido era da mesma maneira distante com todos eles. Ele os segurou, beijou-os, ajudou com seus cuidados e alimentação, mas na maioria das vezes apenas passou pelos movimentos. Isto é, até eles ficarem um pouco mais velhos, um pouco mais interativos, um pouco mais robustos. Então sempre mudava. O relacionamento deles parecia subir depois desse ponto.

Outro dia perguntei a ele por que sempre levava tanto tempo para aquecer nossos bebês.

Porque você não pode lutar com um recém-nascido, ele brincou.

Acho que alguns caras s√£o como lagartas em um casulo. Voc√™ quer saber se eles surgir√£o totalmente no mundo da paternidade. Mas quando o fazem uma vez, a metamorfose de ‚Äúdoador para o pai est√° completa‚ÄĚ √© uma transforma√ß√£o fascinante e bonita. Eles se transformam no tipo de pai que observar√° seus filhos dormirem e se maravilhar√° com o qu√£o altos e longos est√£o ficando. O tipo que vai abra√ßar e dar conselhos e cavalgar e, sim, lutar. A torcida mais alta √† margem.

Esse é meu marido agora.

O √ļltimo a se unir, talvez, mas o primeiro a aparecer para os filhos, n√£o importa o qu√™.