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Filhas não amadas e o horrível ciclo de pensamentos repetitivos

H√° pouco tempo, recebi uma mensagem chorosa de um leitor perguntando se havia uma conex√£o entre suas pr√≥prias experi√™ncias de inf√Ęncia e seus problemas ao lidar com o estresse:

‚ÄúQuando me sinto estressado ou preocupado, √© praticamente imposs√≠vel para mim manter o equil√≠brio; Estou acordado a maior parte da noite, incapaz de desligar meu c√©rebro, e todas as minhas preocupa√ß√Ķes parecem correr em um ciclo intermin√°vel. √Č claro que ficar privado de sono me deixa mais ansioso. Como isso se relaciona com a minha inf√Ęncia? √Č?"

De fato, √© conectado. Um resultado importante do apego inseguro na inf√Ęncia √© um d√©ficit na capacidade de lidar com emo√ß√Ķes negativas, e isso acaba sendo parte do problema. Mas tamb√©m, a pesquisa revelou muito sobre por que certas pessoas s√£o t√£o propensas a pensamentos repetitivos, gra√ßas a certas id√©ias sobre o c√©rebro e neg√≥cios inacabados.

Que neg√≥cio inacabado? Pode ser algo que voc√™ sabe que precisa lidar, mas evita ativamente, cobrindo uma grande quantidade de territ√≥rio. Pode ser algo que voc√™ sabe que deveria fazer, mas que est√° adiando. Ou, alternativamente, voc√™ pode se encontrar em uma situa√ß√£o em que voc√™ tem um controle limitado no trabalho que o afeta direta e indiretamente, ou em um processo ou a√ß√£o de div√≥rcio, por exemplo, e a situa√ß√£o est√° constantemente se repetindo em sua mente. , e voc√™ est√° constantemente em p√Ęnico. Como voc√™ tem dificuldade em gerenciar emo√ß√Ķes causadas por eventos estressantes ou dolorosos, qualquer situa√ß√£o que n√£o tenha uma solu√ß√£o imediata ou √≥bvia pode colocar voc√™ em um carrossel de preocupa√ß√Ķes que tende a alimentar ainda mais a rumina√ß√£o.

Escusado será dizer que os esforços para gerenciar seu relacionamento com um (s) pai (s) tóxico (s) não são apenas prejudicados por suas próprias inseguranças, mas pelo ciclo de ruminação, que geralmente é uma experiência comum, como Mary explicou:

‚ÄúFa√ßo um movimento para estabelecer limites e ent√£o uma parte de mim fica esperan√ßosa e come√ßo a duvidar de mim mesma e me perguntar se todas as coisas que minha m√£e diz sobre mim est√£o corretas. Sou excessivamente sens√≠vel ou cruel com o que voc√™ diz? √Č um sinal de minha pr√≥pria natureza imperfeita que n√£o posso continuar me dando bem? Eu sou realmente dif√≠cil de lidar? Eu me sinto t√£o emocionalmente confusa e ent√£o estou deitada na cama no meio da noite, meu c√©rebro apenas desliza para frente e para tr√°s. √Č horr√≠vel."

O que causa a ruminação, afinal?

Aqui estão algumas ciências para ajudá-lo a entender por que esses laços repetitivos de pensamento ocorrem em primeiro lugar. O primeiro grande experimento foi realizado por uma mulher chamada Bluma Zeignarik em 1927 e foi replicado muitas vezes. Ela encomendou aos participantes que completassem um quebra-cabeça, mas impediu que alguns terminassem; Eles receberam outra tarefa para distraí-los, mas continuaram a experimentar pensamentos intrusivos sobre o quebra-cabeça não resolvido. Aqueles que terminaram os quebra-cabeças, ao contrário, nunca mais pensaram neles. Acontece que o cérebro procura negócios inacabados, e nosso inconsciente se torna um empurrador de primeira classe. Mas não são apenas os problemas pendentes que nos assombram; é que quanto mais tentamos suprimir um pensamento ou emoção, mais ele será insinuado em nossos pensamentos.

Essa √© uma fun√ß√£o do que Daniel Wegner chama de processo ir√īnico de monitoramento: seu c√©rebro realmente procura quaisquer pensamentos ou emo√ß√Ķes que voc√™ est√° tentando n√£o pensar ou sentir.

Nos experimentos iniciais, Wegner e colegas instru√≠ram um grupo de participantes a n√£o pensar em um urso branco enquanto fazia outras tarefas. Um segundo grupo foi instru√≠do a pensar em ursos brancos e depois a n√£o pensar neles. Curiosamente, o primeiro grupo, que tentou manter o urso branco √† dist√Ęncia, pensou neles mais de uma vez por minuto! E o segundo grupo pensou mais neles quando tentavam suprimir os pensamentos dos ursos brancos do que quando lhes disseram para pensar neles. Lembre-se de que pensar em ursos polares n√£o √© algo que algu√©m que voc√™ conhece fa√ßa regularmente, e √© isso que torna a descoberta ainda mais extraordin√°ria.

Visto deste ponto de vista, a maneira de superar esses pensamentos intrusivos não é distração ou supressão, mas brincar com o próprio cérebro e se livrar dele. A vantagem evolutiva desse impulso é bastante clara: a mente quer que façamos o que precisa ser feito. Encaixe esse caribu! Construa essa comunidade! Infelizmente, nossos cérebros ainda estão fazendo isso no século 21, e isso mantém alguns de nós acordados à noite.

Resolver essas preocupa√ß√Ķes

A pesquisa sugere uma s√©rie de estrat√©gias ainda n√£o cientificamente comprovadas para se livrar dos ursos brancos e evitar o efeito Zeigarnik que vale a pena tentar. Se voc√™ est√° tentando se recuperar de uma inf√Ęncia t√≥xica, a melhor maneira de lidar com a rumina√ß√£o √© conversar com um terapeuta, mas tamb√©m existem algumas estrat√©gias de auto-ajuda.

  • Pense no mecanismo para suas preocupa√ß√Ķes

Concentrar-se no que voc√™ sente o ajudar√° a desacelerar o carrossel: voc√™ est√° assustado ou envergonhado? Voc√™ est√° preocupado com algo tang√≠vel (perda de dinheiro ou renda, sendo exclu√≠do de uma atividade) ou algo mais sutil (perda de conex√£o, sentindo-se amado ou admirado)? Ou voc√™ s√≥ tem medo de cometer um erro? As mulheres que tentam separar seu relacionamento com as m√£es costumam estar inconscientemente preocupadas com o fato de que, ao agirem, est√£o de alguma forma subvertendo um investimento milagroso; Como uma filha disse: Se eu interromper ou diminuir a comunica√ß√£o, o que acontece se ela mudar repentinamente e perceber que me ama e eu a perder? Essa preocupa√ß√£o muito comum √© baseada em uma combina√ß√£o de ilus√Ķes, esperan√ßa e nega√ß√£o; Tem pouca raiz no relacionamento real.

  • Use uma t√©cnica auto-calmantes

Quando sentir que suas emo√ß√Ķes come√ßam a ficar fora de controle e a ang√ļstia come√ßa a se desenvolver, concentre-se. Respire fundo e visualize uma pessoa ou lugar que fa√ßa voc√™ se sentir seguro e calmo.

Essa sugestão vem do próprio Daniel Wegner e, embora pareça contraditória, funciona: tornar intencional o pensamento intrusivo e, portanto, trazê-lo à plena consciência. Diga em voz alta ou escreva. Se você é propenso a refletir, discuta seus pensamentos intrusivos com amigos íntimos (ou um terapeuta). Seus piores medos têm muito mais poder quando não estão articulados; arraste-os para a luz e considere o pior cenário possível e pense no que você faria se isso acontecesse.

  • Atribua a si mesmo um "tempo de preocupa√ß√£o"

Algumas pessoas podem lidar com pensamentos perturbadores conscientemente se preocupando com eles. Voc√™ pode escolher uma hora do dia para abordar esses pensamentos ou decidir que 10 ou 15 minutos de preocupa√ß√£o s√£o tudo o que voc√™ precisa. Se desejar, anote suas preocupa√ß√Ķes, se as vir em preto e branco, para aumentar sua conscientiza√ß√£o e come√ßar a processar o que pode e precisa fazer sobre isso. Admito facilmente que essa t√©cnica n√£o funciona para mim, mas definitivamente vale a pena tentar.

  • Mergulhe em uma atividade.

Muitas pesquisas mostram que simplesmente se distrair n√£o impedir√° pensamentos intrusivos, mas sim entrar em algo que o envolve t√£o completamente que voc√™ se perder√° nele. Qualquer atividade que voc√™ realmente conecte, de tric√ī a tocar piano, praticando um esporte, jardinagem ou panifica√ß√£o, far√° isso. Novamente, o que voc√™ escolher deve ter um alto n√≠vel de comprometimento para se envolver ativamente, e n√£o apenas se distrair. Assistir √† televis√£o ou multitarefa para se distrair est√° fadado ao fracasso, enquanto um projeto que realmente o enfoca e trabalha duro ser√° bem-sucedido. Al√©m disso, a imers√£o lhe dar√° prazer e aumentar√° sua auto-estima.

  • Planeje em vez de se preocupar

Investiga√ß√£o sobre quest√Ķes pendentes por E.J. Masicampo e Roy Baumeister revelaram que simplesmente fazer um plano sem implement√°-lo poderia realmente parar o efeito Zeigarnik. Os pesquisadores fizeram um grupo escrever sobre duas tarefas que precisavam ser conclu√≠das em breve, descrever as consequ√™ncias se as tarefas permanecerem inacabadas e atribuir um valor √†s tarefas em uma escala de um a sete. O segundo grupo recebeu as mesmas instru√ß√Ķes, mas foi solicitado que apresentasse um plano para realizar essas tarefas. Um grupo de controle escreveu sobre as tarefas que foram conclu√≠das. Os tr√™s grupos receberam uma parte de um romance para ler e sua compreens√£o foi avaliada. Aqueles que fizeram um plano n√£o se distra√≠ram com pensamentos intrusivos e tiveram um desempenho melhor nos testes de compreens√£o. Essa √© a boa not√≠cia. A m√° not√≠cia √© que, simplesmente, fazendo um plano para conseguir o que quer que esteja incomodando, voc√™ n√£o reduzir√° a ang√ļstia ou a preocupa√ß√£o associada a metas n√£o cumpridas, como mostra mais experimenta√ß√£o.

  • Abordar preocupa√ß√£o ou pensamento

Acho que voc√™ j√° sabe disso, mas a melhor maneira de desmascarar neg√≥cios inacabados √© lidar com isso. Evitar apenas piora a situa√ß√£o. Se voc√™ est√° lidando com problemas relacionados √†s suas experi√™ncias de inf√Ęncia, meu livro Desintoxica√ß√£o da filha: recupere-se de uma m√£e que n√£o ama e recupere sua vida Possui estrat√©gias espec√≠ficas.

Esta pe√ßa √© adaptada do meu livro. O livro de perguntas e respostas sobre desintoxica√ß√£o da filha: um GPS para navegar em uma inf√Ęncia t√≥xica. Direitos autorais 2019 Peg Streep.

Fotografia do ShiftGraphiX. Direitos autorais gratuitos. Pixabay.com

Wegner, Daniel M. Ursos Brancos e outros pensamentos indesejados. Nova York: The Guildford Press, 1994.

Wegner, Daniel M. Processos ir√īnicos de controle da mente, Psychological Review, 101, n. 1 (1997).

Wegner, Daniel M. David J. Scheider, Samuel R. Carter III e Teri L. White, Efeitos paradoxais da supress√£o do pensamento, Journal of Personality and Social Psychology, 53, n. 1 (1987): 5-13.

Wegner, Daniel M. Você nem sempre pode pensar o que deseja: problemas em suprimir pensamentos indesejados, avanços na psicologia experimental, 25 (1992), 193-225.

Wegner, Daniel M. Freeing Bears: Escape from Thought Suppression, American Psychologist (novembro de 2011): 671-670.

Masicampo, E.J e Roy F. Baumeister, consideram feito: o planejamento pode eliminar os efeitos cognitivos de metas não cumpridas, Journal of Personality and Social Psychology (junho de 2011), antecipa a publicação on-line. DOI: 10.1037 / 90024192.

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