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Férias de primavera para a mãe: um livro querido traz paz

Férias de primavera para a mãe: um livro querido traz paz

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Certa primavera, enquanto meu filho estava voando para o sul para encontrar seus amigos da faculdade de folga, fugi para a pequena ilha de Captiva, na Flórida, onde Anne Morrow Lindbergh escreveu Presente do mar durante um breve período sabático.

Eu n√£o poderia estar mais desesperado por f√©rias. Meu marido e eu est√°vamos ansiosos pela liberdade de nosso ninho rec√©m-esvaziado desde que nosso √ļnico filho saiu de casa para a faculdade no ano anterior. Mas essa liberdade foi subitamente reduzida por um novo conjunto de preocupa√ß√Ķes e responsabilidades: cada um de n√≥s tinha um pai com dem√™ncia que progredia rapidamente.

Naqueles dias, nenhum de nós podia sair da cidade sem fazer listas detalhadas para a gestão de cuidados de nossos pais. As férias de uma semana eram preciosas e raras.

E assim, para celebrar minha breve peregrina√ß√£o √† Ilha Captiva, comprei a edi√ß√£o do 50¬ļ anivers√°rio do livro de Lindbergh e reli-a no avi√£o a caminho. Ao longo dos anos, colecionei pelo menos cinco edi√ß√Ķes diferentes de Presente do Mar, dando-as a m√£es mais jovens que estavam manipulando as demandas do trabalho e da vida familiar.

Publicado pela primeira vez em 1955, o pequeno volume falava com mulheres que estavam em conflito com o que Lindbergh chamou de “as novas oportunidades de carreira” se abrindo para elas. Usando conchas do mar para descrever os v√°rios est√°gios da vida de uma mulher, do casamento precoce ao ninho vazio, ela deu voz √† dor desarticulada do esp√≠rito feminino.

Presente do mar tornou-se um cl√°ssico entre os best-sellers inspirados, mas seu sucesso sempre confundiu o autor. “O espanto original √© que um livro de ensaios, escrito para resolver meus pr√≥prios problemas, deveria ter falado com muitas outras mulheres”, disse Lindbergh duas d√©cadas depois.

Um amigo recomendou o livro quando eu tinha 30 e poucos anos, quando tudo no meu pequeno universo girava mais rápido do que eu conseguia acompanhar. Eu estava criando um pré-escolar, trabalhando como editor de uma revista de viagens, reformando uma casa antiga com meu marido e plantando raízes em uma nova comunidade. Eu sempre estava exausta demais para descobrir por que não podia aproveitar o que parecia ser uma vida feliz e satisfatória.

A senhora Lindbergh sabia como explicar meu dilema.

“Existem t√£o poucas p√°ginas vazias no meu calend√°rio de noivado”, escreveu ela. ‚ÄúMuitas atividades dignas, coisas valiosas e pessoas interessantes. Pois n√£o √© apenas o trivial que atravessa nossas vidas, mas tamb√©m o importante. ‚ÄĚ

Em outras palavras, o que eu realmente precisava era de paz interior. Paz espiritual. At√© ent√£o, eu assumi que a vida contemplativa era a √ļnica prov√≠ncia de freiras, monges ou eremitas religiosos. O livro de Lindbergh me lembrou que dedicar tempo para alimentar meu esp√≠rito era uma necessidade, n√£o um luxo. Eu tive que aprender a “ficar quieto” no meio do caos suburbano, se eu estava programando creches para uma pr√≥xima viagem de neg√≥cios ou negociando um hor√°rio para comprar as compras da minha fam√≠lia. Eu tinha que aprender, como Lindbergh escreveu, “como permanecer inteiro no meio das distra√ß√Ķes da vida”.

Durante minha visita a Captiva, pensei: se a Sra. Lindbergh estivesse viva hoje, o que ela pensaria da Internet e das cont√≠nuas ‚Äúdistra√ß√Ķes‚ÄĚ das m√≠dias sociais? Se ela se sentisse em conflito por tantas atividades e novas oportunidades em 1955, ela se sentiria sobrecarregada por centenas de conex√Ķes no Facebook, Twitter e Instagram? Seria necess√°rio mais do que um oceano sab√°tico para Captiva, sua Walden de clima quente, para clarear a cabe√ßa e acalmar sua alma hoje?

Dirigindo pela praia remota onde Lindbergh anotou seu livro, eu reconsiderei essas quest√Ķes da perspectiva da meia-idade. Pensei nos encargos e nas recompensas ineg√°veis ‚Äč‚Äčde passar a vida cuidando de crian√ßas, animais e, mais tarde, pais.

Mais uma vez, tive que me lembrar de desacelerar, respirar profundamente e assumir a responsabilidade por minhas próprias necessidades.

Mais de seis d√©cadas depois Presente do mar foi publicada, a maioria das mulheres ainda est√° sobrecarregada com um banquete de escolhas e mudan√ßa de responsabilidades. Anne Morrow Lindbergh nos lembrou que nunca √© ego√≠sta dedicar tempo para n√≥s mesmos e desenhar limites saud√°veis ‚Äč‚Äčem tinta em nossos calend√°rios. Ainda sou grato por seu dom de insight.