Depressão e uso de antidepressivos durante a gravidez afetam o cérebro fetal

Depressão e uso de antidepressivos durante a gravidez afetam o cérebro fetal

Depressão e uso de antidepressivos durante a gravidez afetam o cérebro fetal

UMAAproximadamente 14-23 por cento das mulheres experimentam uma forma de depressão durante a gravidez. O transtorno de humor pode transformar um momento normalmente alegre em uma experiência confusa, estressante e profundamente triste. Muitos encontram alívio com grupos de apoio ou terapia, mas quando mais ajuda é necessária, alguns recorrem a antidepressivos.

Embora os efeitos de tomar esses medicamentos durante a gravidez sejam debatidos há muito tempo, um novo estudo da Academia Nacional de Ciências lançou mais luz sobre o assunto. O estudo constata que tomar antidepressivos comuns (SRIs ou inibidores da recaptação de serotonina) pode alterar o processamento e o desenvolvimento da linguagem da criança.

Embora as conclus√Ķes sobre antidepressivos sejam importantes, o estudo indica n√£o apenas que a medica√ß√£o tem impacto nesse processo de desenvolvimento – mas que a depress√£o n√£o tratada por si s√≥ tamb√©m pode levar a mudan√ßas nesse importante est√°gio de desenvolvimento.

Como o estudo funcionou

O estudo, publicado no in√≠cio deste m√™s, focou em fetos e crian√ßas de tr√™s grupos diferentes de mulheres gr√°vidas. Um grupo n√£o mostrou sinais de transtornos do humor. Outro grupo de m√£es estava deprimido, mas tomando medicamentos SRI. O √ļltimo grupo tamb√©m estava deprimido, mas n√£o medicado.

Usando técnicas diferentes, os pesquisadores mediram as habilidades de discriminação de vogais e consoantes de diferentes idades e estágios dos fetos e filhos das mulheres dos três grupos.

Em 36 semanas, os pesquisadores colocaram alto-falantes até a barriga das mães, medindo os batimentos cardíacos dos fetos. Os alto-falantes tocavam um som consoante que mudaria para outra consoante e depois vogais para outra vogal. Quando um batimento cardíaco muda, isso significa que o feto pode discriminar os sons.

Eles ent√£o olharam para os mesmos beb√™s quando tinham 6 a 10 meses de idade. Aqui, eles voltaram sua aten√ß√£o para as “capacidades auditivas nascidas na natureza” e as mudan√ßas que ocorrem √† medida que crescemos. Pesquisas mostram que at√© os 8 meses de idade, as crian√ßas podem discriminar o som ¬ęda¬Ľ, falado nas l√≠nguas ocidentais e em uma variante do hindi. Por√©m, crian√ßas que n√£o s√£o hindi que n√£o ouvem a variante hindi perder√£o a capacidade depois dessa idade.

As principais conclus√Ķes

Os beb√™s das m√£es n√£o deprimidas se comportaram da mesma forma que em estudos anteriores. Mas, entre as m√£es medicadas, a capacidade dos beb√™s de diferenciar entre as pron√ļncias ¬ęda¬Ľ j√° se foi h√° 6 meses. Isso pode significar que filhos de m√£es expostas ao SRI aceleraram o desenvolvimento do processamento da linguagem.

Filhos de m√£es deprimidas que estavam n√£o os medicamentos, no entanto, foram mais lentos para se desenvolver, ainda discriminando o som da aos 10 meses, descobriram os pesquisadores.

Parece que os medicamentos para depress√£o e antidepressivos podem causar altera√ß√Ķes nos desenvolvimentos cerebrais dos beb√™s. Portanto, nenhum dos dois √© “melhor” que o outro, dizem os autores do estudo.

Insights do sudeste de Michigan

O Hospital da Mulher da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, oferece informa√ß√Ķes para mulheres gr√°vidas com depress√£o. Ele sugere participar de aulas sobre o parto ou encontrar um novo grupo de apoio para a m√£e, se achar que precisa de ajuda para terminar sua gravidez.

Oakland Macomb OBGYN diz simplesmente: “Tomar antidepressivos durante a gravidez pode representar riscos para o seu beb√™, mas parar pode representar riscos para voc√™.”

O novo estudo refor√ßa essa id√©ia. A depress√£o perinatal, tratada ou n√£o tratada, pode levar a altera√ß√Ķes no desenvolvimento do feto. Independentemente de tais descobertas, o uso de antidepressivos durante a gravidez provavelmente continuar√° sendo uma quest√£o muito disputada entre pesquisadores e m√©dicos.