Dar um abraço no meu filho é a parte mais importante da minha manhã

Dar um abraço no meu filho é a parte mais importante da minha manhã

Dar um abraço no meu filho é a parte mais importante da minha manhã

Mam√£e Assustadora e Nick David / Getty

Todas as manhãs, quando deixo meu filho na escola, envolvo-o em um grande abraço. Eu o beijo no topo de sua cabeça e digo: eu te amo, vejo você mais tarde. Ele tem seis anos e já acha embaraçoso para sua mãe lhe dar um beijo de despedida. Tudo o que ele quer é entrar para seus amigos, mas eu tomo um segundo todos os dias para dar-lhe aquele abraço rápido.

Hoje em dia, temo que seja a √ļltima vez que nos vemos. Dar um adeus ao meu filho √© minha garantia de que ele sabe que eu o amo, caso ele nunca mais o ou√ßa.

Algumas pessoas podem dizer que estou sendo desnecessariamente paran√≥ico ou rid√≠culo. Mas n√£o sou rid√≠cula, sou realista. Infelizmente, vivemos uma √©poca em que voltar da escola √© um grande ponto de interroga√ß√£o. Dar um adeus ao meu filho √© na verdade uma das coisas menos paran√≥icas que posso fazer. Eu poderia educ√°-lo em casa para que ele nunca estivesse longe de mim, mas essa n√£o √© uma op√ß√£o para n√≥s por v√°rias raz√Ķes. Mesmo se eu pudesse ensin√°-lo em casa, quero que ele aprenda a sair do mundo sem mim. Isso n√£o significa que n√£o me preocupo todos os dias quando o deixo.

O tiroteio na escola Sandy Hook Elementary aconteceu no ano anterior ao nascimento do meu filho. Lembro-me de sentar no meu sofá, chorando pelas mães que nunca conseguiriam segurar seus bebês novamente. Para aqueles bebês inocentes que nunca terão a chance de crescer. Eu tinha sobrinhos e sobrinhas por volta da idade das crianças mortas. Agora, meu pequeno filho, que na época nem sequer pensava em mim, tem a idade deles. Quando estou dando adeus ao meu filho, estou pensando naquelas mães que não conseguem mais abraçar seus bebês.

Naqueles anos desde Sandy Hook, as coisas s√≥ pioraram. Os tiroteios nas escolas se tornaram uma norma repugnante para a qual alguns pais precisam se entorpecer para poderem funcionar. Viver no espa√ßo de constante preocupa√ß√£o n√£o √© saud√°vel, mas eu posso entender as pessoas que moram no “e se” de existir hoje em dia. Nenhum pai ou m√£e deve se preocupar com o fato de seus filhos n√£o chegarem da escola por causa de um massacre – mas todos fazemos isso constantemente.

Imagens de Cavan / Getty

Recentemente, meu filho teve sua primeira broca de emerg√™ncia na escola. Eles n√£o chamam isso de uma broca de bloqueio, para n√£o assustar as crian√ßas. No entanto, meu filho entra em p√Ęnico facilmente. O professor dele foi gentil o suficiente para me contar sobre o exerc√≠cio, para que eu pudesse responder √†s perguntas de acompanhamento em casa. Parte meu cora√ß√£o que eu ainda preciso ter essas conversas, mas infelizmente todo mundo tem. N√£o entrei em detalhes, mas conversamos sobre ouvir o professor e tentar manter a calma. Se ele fica assustado, eu disse a ele para lembrar o quanto a mam√£e o ama e me imaginar dando um grande abra√ßo nele.

Quando estou dando um tchau no meu filho de manh√£, √© o meu √ļltimo olhar para ele. Lembro-me de que jaqueta colorida ele est√° vestindo naquele dia. Que t√™nis ele est√° usando. Quando ele entra no port√£o e em dire√ß√£o √† lanchonete, tiro uma foto mental final. Nesses momentos, o mais tranquilizador √© que vivemos apenas a alguns quarteir√Ķes da escola. Se precisar, posso chegar l√° rapidamente.

Mas e se ele n√£o for aquele que acaba em perigo? √Äs vezes, o pensamento me passa pela cabe√ßa que Eu poderia ser aquele a quem algo acontece. Os atiradores n√£o t√™m mais limites. Eu poderia ir ao supermercado e algo poderia acontecer comigo. Sem d√ļvida, meu filho seria a √ļnica coisa em minha mente nessa situa√ß√£o.

Xavier Mouton Fotografia / Unsplash

No final do verão, estávamos na Times Square quando alguém confundiu um tiro na traseira de um carro com tiros. Foi a noite mais assustadora de nossas vidas. Obviamente nada aconteceu, mas a ameaça era muito real. Ser pego naquele caos me fez entender o quão real é a ameaça de violência armada. O medo está tão profundamente enraizado em todos nós. Felizmente, ele estava comigo quando aconteceu. Mas desde que a escola começou, menos de uma semana depois, dar adeus ao meu filho foi certamente uma resposta ao trauma.

Este é o seu primeiro ano de escola de dia inteiro. Eu certamente tinha medo enquanto ele estava na pré-escola, mas nada como eu tenho agora. Agora, eles fazem coisas como exercícios de emergência para praticar. Com ele na escola primária, o medo é muito mais palpável às vezes. Tento não pensar nisso, porque sempre que faço, choro. Mas eu não choro porque estou com medo. Eu choro porque estou com raiva.

Nossos filhos n√£o deveriam estar vivendo esse tipo de vida. Eles n√£o deveriam ter medo de ir √† escola porque poderiam morrer. Os pais n√£o devem ter que aliviar o trauma dos exerc√≠cios de bloqueio. Dar um adeus ao meu filho deveria ser apenas um simples gesto de amor. Esse abra√ßo n√£o deve ter o peso do “e se” ligado a ele.

Infelizmente, acho que nada vai mudar t√£o cedo. N√£o enquanto as pessoas ainda valorizam mais as armas do que vidas inocentes. Ent√£o vou continuar dando adeus ao meu filho todas as manh√£s.