Como o isolamento social est√° me permitindo reviver os melhores dias da minha vida

Como o isolamento social est√° me permitindo reviver os melhores dias da minha vida

Como o isolamento social est√° me permitindo reviver os melhores dias da minha vida

Mam√£e assustadora e Maskot / Gety

Como todo mundo, estou lutando com a nova realidade que é uma vida de isolamento social. Sinto falta de ir trabalhar. Eu sinto falta dos meus amigos. Sinto falta de correr para o supermercado apenas para pegar algumas coisas Рou ir a qualquer lugar sem medo de trazer algo terrível de volta à minha família. Sinto falta de me sentir segura e normal. E, no entanto, há momentos nesses dias sombrios em que sinto que recebi um presente inesperado: a chance de voltar aos dias mais felizes da minha vida.

Eu amo a vida que tenho agora. Meus filhos est√£o felizes em suas escolhas de carreira e faculdade. Meu filho mais novo est√° tendo uma √≥tima experi√™ncia no ensino m√©dio. Eu tenho um trabalho gratificante. E meu marido e eu estamos aproveitando todo o tempo extra que temos agora apenas para n√≥s. Mas o tempo em que tive filhos pequenos, quando a vida era mais simples e tivemos dia ap√≥s dia juntos, estendendo-se diante de n√≥s – esse foi, sem d√ļvida, um dos momentos mais felizes da minha vida. E por todas as alegrias e vantagens de ter filhos grandes, muitas vezes anseio por esses dias preciosos.

Então, quando as escolas começaram a fechar e nossas duas universitárias chegaram em casa, fiquei surpreso ao me sentir tomado pelo medo de apreciar nossa nova realidade. Preocupava-me que um deles tivesse trazido o COVID-19 de volta ao campus da faculdade. Passei a maior parte dos meus dias não gostando da minha família, mas limpando todas as superfícies frequentemente tocadas em nossa casa e lembrando as crianças a lavar as mãos por pelo menos 20 segundos. Eu me perguntei se deveríamos isolar nossa filha que chegou em casa resfriada e se deveríamos praticar o distanciamento social um do outro.

Mas, com o passar do tempo e minha ansiedade diminuindo (pelo menos uma parte do tempo), estou começando a apreciar a bênção desse tempo juntos.

Não, não será como era quando eles eram pequenos. Não é provável que façamos artes e ofícios. A história não será uma coisa. Não posso entretê-los com uma caminhada até o riacho para pegar girinos, e não posso jogá-los para fora para brincar quando estão sob os pés. Eu sei que não posso totalmente recapturar aqueles dias mágicos.

Mas, por maiores que sejam, meus filhos estão aqui dia após dia. E estou experimentando novamente tudo o que eu adorava em ter meus filhos em casa há muitos anos.

Mais uma vez, meus dias são preenchidos com o som do riso de minhas crianças (e às vezes seus argumentos) ecoando pela casa. Passamos nosso tempo jogando e assistindo filmes. Assamos biscoitos e passeamos.

Nossa principal forma de comunica√ß√£o n√£o √© enviar mensagens de texto, e n√£o nos encontramos indo e vindo entre uma atividade e outra. Meu filho mais novo n√£o √© mais filho √ļnico (algo que ele ainda estava se adaptando). E embora eu n√£o seja o centro do universo como era quando eles eram pequenos, eles – contra todas as probabilidades – parecem bem contentes apenas por estar aqui, a salvo e em casa com nossa fam√≠lia.

Para ser claro, não estou tentando romantizar a vida em casa com crianças pequenas ou a vida em quarentena. Assim como quando eles eram pequenos, há tédio e frustração. A casa está bagunçada e nem sempre consigo fazer as coisas que preciso fazer.

Eles sentem falta de seus amigos e de suas vidas antes da COVID-19. O pior de tudo √© que o nosso filho mais velho n√£o est√° conosco porque ele √© realmente adulto, e ele tem sua pr√≥pria casa para se abrigar. Sentimos sua falta. A vida em uma pandemia √©, sem d√ļvida, muito, muito dif√≠cil, e a verdade √© que n√£o posso esperar at√© que todos possamos voltar ao normal – se pudermos nos sentir normais novamente depois disso.

Entretanto, entretanto, n√£o posso ignorar, nem dar como certo o presente inesperado que tenho agora. Porque neste momento, talvez pela √ļltima vez, eu tenho (a maioria) meus filhos em casa e temos dia ap√≥s dia uma vida simples juntos, estendendo-se diante de n√≥s.