Aos alunos que falhei

Aos alunos que falhei

Aos alunos que falhei

Fonte da imagem / Getty

Ultimamente tenho feito muita introspec√ß√£o. Suponho que isso seja natural para algu√©m no meio de grandes mudan√ßas na vida. Voc√™ olha o passado e as decis√Ķes que tomou e como elas o levaram para onde voc√™ est√°. Como eles ajudaram ou impediram voc√™ de onde voc√™ quer ir a seguir.

Muitas lembranças do meu tempo gasto ensinando, em particular, continuam aparecendo na minha cabeça. Eu ensinei em uma escola católica por alguns anos. Como acabei, há outra história. Por enquanto, basta dizer que sim.

As salas de aula cat√≥licas s√£o um lugar curioso. N√≥s nos vestimos com nossas roupas de fantasia e saias xadrez, cal√ßas de carv√£o e oxfords de bot√£o. Sup√Ķe-se que isso simbolize o qu√£o importante e sagrado √© o grande ato de aprender. Normalmente, apenas uma pessoa na sala de aula acreditaria nisso de cada vez. E nem sempre fui eu.

Ensinei moralidade e justiça social, mas acabei descobrindo que as coisas mais importantes que aconteciam na minha sala de aula não eram fatos memorizados ou princípios analisados. Eles não eram testáveis, ou mesmo realmente prováveis.

Não é verdade o que as pessoas dizem que a coisa mais gratificante em ensinar ser quando os alunos pegue. Quando eles finalmente entenderem o que quer que você deva estar ensinando. Não foi isso.

Eles eram intera√ß√Ķes.

Momentos em que eu parei de ser senhor professor e eles deixaram de ser notas dos alunos e acabamos de nos tornar duas pessoas ouvindo uma √† outra. √Č um lugar muito dif√≠cil de se chegar na sala de aula. Professores ensinam. Os alunos aprendem. Podemos relutar um ao outro o fato de que qualquer uma das partes n√£o esteja fazendo um bom trabalho ou celebr√°-lo quando o fizermos, mas deixar isso de lado e honestamente ou√ßo para o outro, √© preciso muita confian√ßa.

√Č dif√≠cil ter dezesseis anos e ter um homem de terno controlando tudo, desde as f√©rias no banheiro at√© as notas que afetar√£o a universidade em que voc√™ estuda e, em seguida, realmente ou√ßa o que ele diz. Tamb√©m √© dif√≠cil ouvir quando voc√™ tem vinte e quatro ou vinte e cinco anos e ganha a vida com o quanto consegue fazer com que os adolescentes fa√ßam testes. Ah, e nesse teste em que voc√™ estar√° trabalhando at√© tarde da noite, cerca de um quarto deles tentar√° trapacear. Sim, √© um lugar dif√≠cil para tentar ouvir um ao outro.

Mas garoto, quando isso acontece, é milagroso.

Lembro-me da vez em que uma garota discutiu comigo por um período inteiro de aula sobre sexo antes do casamento. Ela ignorou completamente minha lição do dia e foi argumentativa e, honestamente, rude o tempo todo. Fiz o meu melhor para manter a calma e não deixar uma conversa se transformar em um debate com um vencedor e um perdedor. Para continuar me dizendo para parar de contar pontos na minha cabeça. Foi só depois da escola que ela parou na minha sala de aula e me disse que não acreditava em nada disso, mas sua melhor amiga na sala de aula acreditava e queria que ela ouvisse minhas respostas. Quando a amiga me viu responder com paciência e compreensão, estava disposta a falar pela primeira vez sobre isso. Ouvir.

Lembro-me da vez em que um aluno que odiado quando comecei a ensinar acabei recebendo um prêmio de melhor aluno da minha turma. O quão chocada ela ficou quando descobriu que eu dei a ela e a conversa que tivemos sobre o quanto ela aprendeu a gostar da minha classe. Ela não gostava muito de Deus ou da igreja, mas aprendeu a confiar em mim o suficiente para me contar tudo o que passara antes de completar dezessete anos. Não acho que me sentiria diferente se tivesse passado por tudo isso. Ela faleceu logo após se formar, mas, no final, sou grata por termos gostado um do outro.

Lembro-me da ocasião em que alguns estudantes discordaram educadamente de mim no meio de uma palestra e calmamente me explicou a falácia ad hominem que eu estava usando na minha lição sobre casamento gay. Pode não ter mudado o ensino da Igreja Católica sobre o assunto, mas certamente mudou nossa discussão. Então me lembro da vez em que um garoto me procurou no final do ano e me disse em particular que era gay e o quanto aquela palestra o machucara. Como isso o deixou tão bravo que ele se recusou a falar na minha classe por meses. E lembro quando pedi desculpas e começamos a ouvir novamente.

Existem outros que n√£o foram t√£o corajosos em me confrontar. √Č triste ter que usar uma palavra como corajosa para descrever isso. Os que eu nunca ouvi porque estava muito ocupado conversando. Eu me pergunto onde eles est√£o hoje. Se eles desistiram de conversar com pessoas que deveriam ser professores porque nunca ouviram. Porque eu estava ocupada demais explicando o preto e branco para ouvir as hist√≥rias reais que comp√Ķem o cinza.

Uma vez por ano, um grupo de jovens ministros entrava na escola e fazia um retiro de um dia. Eu os conhecia bem e eles s√£o brilhantes no que fazem. Mas eles sempre diziam que a nossa escola era a pior. Os alunos simplesmente nunca Ouvido.

Olhando para trás agora, suponho que não estou surpreso. Se era tão raro que eu os ouvia, por que eles aprenderiam a ouvir mais alguém? Eu era a professora com eles todos os dias e não conseguia nem fazê-lo.

Eu mudei muito desde aqueles dias na faculdade, quando eu arregaçava as mangas e sentava em uma mesa como Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos e tentar passar tudo o que eu sabia. Eu fiquei melhor ouvindo. Com o tempo, minha mente mudou em cada um dos exemplos que dei acima. Na verdade, eu me tornei gay e moro solteiro com meu parceiro. A vida bateu contra mim como as ondas na praia e lavou as bordas ideológicas que me mantinham presas.

Aprendi que as coisas que sei nem sempre permanecem assim. As perspectivas mudam. As opini√Ķes evoluem. E a √ļnica maneira de crescer saud√°vel √© compartilhar esse espa√ßo de maneira aberta e honesta. Quando algu√©m √© corajoso o suficiente para compartilhar seu lado, aceite tudo, sem julgamento.

Para os alunos que não ouvi, me desculpe. Eu gostaria de poder voltar e fazer as coisas de maneira diferente. Eu sei que fui contratado para ser professor, mas eu deveria ser mais. E muitas vezes eu não era muito bom nisso. Era meu trabalho dar as notas, mas fui eu quem reprovou em você.

Gostaria que voc√™ confiasse em mim o suficiente agora para entrar em contato novamente e dizer que queria compartilhar sua hist√≥ria. Vale a pena ouvir. Sem uniformes. Sem planos de aula. Sem anota√ß√Ķes. Apenas cora√ß√Ķes honestos.