Sa√ļde

Alguns chefes acham que não há problema em pagar às pessoas solteiras menos do que colegas de trabalho casados

Alguns chefes acham que não há problema em pagar às pessoas solteiras menos do que colegas de trabalho casados

Em um post anterior, compartilhei três perguntas que foram feitas sobre pessoas solteiras no local de trabalho, incluindo como elas são tratadas e o que é justo. Em seguida, respondi às duas primeiras perguntas nos posts subsequentes. Aqui está o post final desta série, a terceira pergunta e minha resposta.

A pergunta que eles me fizeram:

O vi√©s contra trabalhadores solteiros pode at√© se estender a pagar. Um empregador pode pensar: voc√™ √© solteiro e, portanto, tem menos despesas do que meus funcion√°rios com parceiros que podem ser pais que ficam em casa com filhos, s√≥ tenho muito or√ßamento. √Č justo que eu pague mais pelas pessoas com esposas que ficam em casa com filhos, elas precisam mais do dinheiro. Quero dizer que a sociedade quer que os locais de trabalho sejam familiares. Afinal, nossos filhos s√£o o nosso futuro. E certo ou errado, as mulheres fazem a maioria dos pais. E, caso contr√°rio, as mulheres ficam com a ponta curta. Pagando mais aos pais, sou apenas uma boa feminista. O que voc√™ diria para aquele chefe?

Minha resposta:

√Č interessante que voc√™ fa√ßa essa suposi√ß√£o sobre minhas despesas. Muitos anos atr√°s, eu tinha um chefe de departamento que tamb√©m assumiu isso. Eu estava em uma universidade que tornou p√ļblicos os sal√°rios dos professores e descobri que colegas que n√£o tinham meu registro eram pagos muito mais do que eu. Ent√£o, fui ao chefe do departamento com essas informa√ß√Ķes e ele disse: Bella, eu sei que n√£o se trata do dinheiro. Eu sei que voc√™ n√£o precisa de mais dinheiro.

Mais importante, o pagamento deve ser baseado no desempenho no trabalho, n√£o na percep√ß√£o de algu√©m sobre quem precisa de mais dinheiro. Mas mesmo que n√£o tenha problema basear o pagamento na necessidade, o que n√£o √© de todo, voc√™ n√£o tem id√©ia de quais podem ser minhas necessidades. Na √©poca dessa conversa, minha m√£e havia sido vi√ļva recentemente e estava sozinha pela primeira vez em sua vida. Ela nunca teve um emprego para gerar renda. Ela ficou em casa e criou quatro filhos. Pelo que meu chefe de departamento sabia, eu poderia ter lhe enviado cheques. (N√£o estava certo, mas ele n√£o sabia).

Nos meus anos conversando com pessoas solteiras e estudando pesquisas relevantes, aprendi sobre muitas pessoas solteiras que apóiam outras pessoas. Às vezes, eles cobrem as despesas básicas de vida de outra pessoa. Outras vezes, garantem que as pessoas com quem se preocupam tenham oportunidades importantes, como quando financiam uma educação universitária para seus sobrinhos ou sobrinhas.

Aqui est√° outra coisa importante: Mesmo que os trabalhadores casados ‚Äč‚Äče solteiros recebam exatamente o mesmo sal√°rio base, em muitos casos, as pessoas casadas ainda recebem uma remunera√ß√£o total muito mais alta. Isso pode acontecer, por exemplo, se voc√™ estiver em um local de trabalho onde trabalhadores casados ‚Äč‚Äčpossam colocar seu c√īnjuge em seu plano de seguro de sa√ļde a uma taxa reduzida, mas eu, como pessoa solteira, n√£o possa acrescentar ningu√©m para o meu plano.

Moro sozinho, mas suponho que tenha vivido por d√©cadas com um amigo plat√īnico pr√≥ximo e que √©ramos interdependentes de todas as maneiras que os casais s√£o, exceto o sexo. As pessoas casadas obt√™m benef√≠cios especiais que eu e meu amigo n√£o obtemos, e a √ļnica diferen√ßa √© que elas est√£o supostamente fazendo sexo. N√£o acho que as pessoas devam obter benef√≠cios federais especiais por supostamente fazer sexo.

No argumento dela de que ser uma boa feminista significa pagar mais às mães do que não-mães solteiras, devo admitir, isso realmente me incomodou. Minha primeira reação foi dizer que minha definição de feminismo não inclui estragar as pessoas solteiras.

Mas, de fato, houve problemas em torno deste assunto. A estimada professora de direito Rachel Moran escreveu um importante artigo intitulado Como o feminismo na segunda onda esqueceu a mulher solteira (discutido aqui). E o feminismo da segunda onda se importava mais com mulheres e m√£es casadas do que com mulheres solteiras e sem m√£e. Mas isso foi um erro, n√£o era algo que os chefes devessem usar para justificar mais o pagamento das m√£es do que as n√£o m√£es.

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